sexta-feira, 15 de maio de 2026

Palácio Nacional de Mafra e ao Museu do Ar

1 de abril de 2026

No dia 1 de abril, as turmas do 12. ano do Agrupamento Nuno de Santa Maria fizeram uma visita de estudo ao Palácio Nacional de Mafra. Não, não é mentira. A visita foi – continua a ser – uma motivação suplementar para a leitura e compreensão de O Memorial do Convento, obra-prima da literatura portuguesa e universal, da autoria de José Saramago, premiada com o Nobel da Literatura, em 1998.


É um livro denso e profundo, que nos leva até ao século XVIII português, um tempo de contrastes sociais igualmente profundos, onde o brilho do ouro (e dos diamantes), entretanto descoberto no Brasil, à época colónia portuguesa, iluminava os salões barrocos da corte, mas não retirava da pobreza e da miséria, o povo, a maioria da população, que vivia numa sociedade de ordens (clero, nobreza e povo), profundamente desigual, ordenada numa rígida hierarquia social e totalmente submissa ao rei. 

É neste contexto social, político e económico que José Saramago – intelectual comprometido, tal como o foram outros grandes vultos da arte do século XX, lembremos Pablo Picasso, Diego Rivera, Sophia de Mello Breyner Andresen, Miguel Torga... –  constrói uma narrativa onde a História e a criatividade literária caminham lado a lado, revelando não apenas o que aconteceu (o encomendador da obra: o rei), incluindo as motivações; o arquiteto que a planeou, bem como os autores das esculturas, pinturas, dos monumentais carrilhões.....) mas, sobretudo, o que o povo, maioritariamente anónimo, sentiu – e viveu na pele, nos seus sonhos e utopias, nos seus encantamentos e revoltas – na construção do Palácio-Convento de Mafra, obra arquitetónica colossal, com cerca de 38.000 metros quadrados, 1.200 divisões, erguida em pouco tempo, dada a sua faraónica envergadura. A obra teve início em 1717 e a catedral foi consagrada em 1730. A obra foi concluída em 1744. No seu pico, lá trabalharam entre 45.000 a 50.000 operários (pedreiros, canteiros, carpinteiros...), que viviam em condições miseráveis na Ilha de Madeira (não confundir com Ilha da Madeira). Para manutenção da ordem e apoio, a edificação contava com cerca de 7.000 a 7.500 soldados. O total dos operários na obra colossal era equivalente à população das cidades de Tomar, Torres Novas e do Entroncamento, nos dias de hoje.


D. João V, monarca absoluto, governa Portugal. O ouro que chega em grandes quantidades do Brasil permite-lhe copiar a grandeza e a ostentação de Luís XIV, o Rei-Sol francês, que mandara edificar o monumental Palácio de Versalhes. A palavra do rei é lei. A submissão é absoluta. A religião tem um peso enorme – não apenas como exercício de fé, mas como instrumento de poder. A construção do palácio monumental é um símbolo do poder real. As promessas feitas a Deus tornam-se decisões políticas. É dessa ligação umbilical entre poder político e poder religioso que nasceu o projeto de erguer um convento naquelas colinas inóspitas e ventosas, em Mafra.


Em Mafra, os alunos sentiram bem a aragem fria que vinha dos lados do mar. Foi com pele de galinha que os grupos se prepararam para iniciar a visita ao interior do edifício, numa memorável visita guiada. Alguns afirmavam que se sentiam pigmeus diante da fachada de 232 metros, erguida em pedra calcária trazida de Pêro Pinheiro, localidade situada a cerca de quinze quilómetros, num esforço brutal de homens e de bestas. Para grandeza e glória do rei.


E lá fomos, ora subindo escadarias monumentais, ora atravessando salões imensos, decoração de alto a baixo, como era próprio do estilo barroco... “o horror ao vazio”. Ora, imaginando a pressão hormonal do rei, a caminho da alcova, onde iria cumprir a função, depois de atravessar um corredor de 240 metros, a distância que separava os dois aposentos; o masculino e o feminino. E caminhámos até à monumental biblioteca, considerada uma das mais belas do mundo. A Sala dos Troféus fez estremecer alguns alunos. Uma, mais suscetível, esteve a dez ínfimos segundos de soçobrar, quando enxergou trinta cabeças de veado embalsamadas, presas às altíssimas paredes. O Palácio de Mafra também tem uma Tapada de grande dimensão, 1.200 hectares, onde vivem dezenas de espécies, algumas de caça grossa.

O jovem rei havia casado com Maria Ana Josefa Antónia Regina de Habsburgo, princesa austríaca, católica devota, numa boda que servia os interesses do rei e do Estado – no Antigo Regime, eram a mesma coisa.  A rainha teve dificuldade em engravidar. Tinham passados dois anos e o tão desejado herdeiro tardava. Dona Maria Ana acabou por ter seis filhos do seu casamento com D. João V. A demora na tão desejada primeira gravidez é o mote para a espetacular narrativa de José Saramago. As descrições dos preliminares e do cenário que desaguam nas cópulas reais e de toda a espetacularidade cénica associada aos muito intervalados coitos são magistrais. 


Ao mesmo tempo que o convento cresce em infindáveis toneladas de pedra e grandiosidade, Saramago levanta da opacidade histórica as dezenas de milhar de homens e vidas arrancadas às suas terras, famílias separadas, os corpos exangues, os muitos mutilados na obra e rapidamente enterrados em vala comum. Para grandeza do rei. 

No meio deste mundo extremamente duro, muitas vezes brutal, emergem duas personagens que parecem pertencer a outra dimensão: Baltasar, o Sete-Sóis, e Blimunda, a Sete-Luas. A acompanhar este casal de invulgar beleza espiritual está o padre Bartolomeu de Gusmão, o criador da passarola, a máquina voadora.  Afinal, todos podemos voar. Basta entrar no sonho. Na utopia. 


E é preciso entrar na obra, ler e compreender a narrativa e os porquês. A leitura não é fácil. Descomunal eram os trabalhos de homens e de bestas para trazer os colossais blocos de calcário até ao canteiro de obras. O guia, no interior do Palácio que nunca foi residência oficial da monarquia portuguesa, referiu que eram necessárias catorze juntas de bois para transportar, puxar, arrastar, serra acima, os maiores blocos de pedra alva, tiradas do ventre da Terra, em Pêro Pinheiro. Também difícil é entrar na cápsula do tempo e entranhar a época, o espírito, a mentalidade, as pulsões individuais e coletivas e, como memorial que é, trazer à luz a labuta interminável, a perseverança (hoje, diz-se resiliência), honrar os esquecidos, aqueles que a história oficial não lembra nem honra. O Memorial de José Saramago é muito mais que exumação. É a consagração dos esquecidos, dos mutilados, dos notáveis artesãos e, também, daqueles que ousaram dizer não à vinda forçada para a construção do Real Palácio de Mafra, como era designado na época, ou daqueles que tiveram a coragem, e a loucura, de fugir da obra e regressar às suas terras, a correr, a voar… para os braços dos seus. A uns e outros, quando encontrados pelas autoridades, era-lhes infligida ainda mais mal-aventurada  fortuna: uma marca no corpo, com um ferro em fogo – como se faz aos equídeos – para que todos soubessem que aqueles súbditos tinham tido o inconfessável desvario de desobedecer a Sua Majestade.

No último degrau, um aluno exclamou: 

– Que excelente visita! Valeu mesmo a pena.

E valeu. Tanto.

A caminho do Museu do Ar, instalado na Base Aérea n.5, a poucos quilómetros de Sintra e, depois de uma longa e íngreme descida, a risonha caravana estudantil passou na aldeia de Cheleiros, encravada no vale com o mesmo nome. A aglomeração é nomeada na obra de José Saramago. Por razões maiores.

O Museu do Ar foi uma surpresa muito grande para a turba estudantil. Tem um espólio notável, donde constam exemplares raríssimos a nível mundial, nomeadamente dos primeiros aparelhos que conseguiram estar mais de dez minutos no ar. À entrada do espaço sobrelotado de máquinas voadoras e apetrechos associados, uma idealizada do primeiro português que quis imitar os pássaros. Afinal, um sonho tão antigo quanto a Humanidade.


Chamava-se João Torto e lançou-se num voo do alto da Sé de Viseu. Sentiu a aragem a fazer cócegas no nariz e os batimentos cardíacos bem descompassados. De repente, o abismo e o lajedo áspero. “Deu para o torto”.

A visita de estudo, não. Um voo maravilhoso e gratificante pelo conhecimento. No dia 1 de abril.


quinta-feira, 14 de maio de 2026

III Festival de Lanternas Flutuantes

 Decorreu no dia 13 de maio, no auditório da Esc. D. Nuno Álvares Pereira, a apresentação oficial do “III Festival de Lanternas Flutuantes” de Tomar. A apresentação foi feita por 7 alunos do 6º ano, representando cada uma das turmas envolvidas nesta atividade.


Este evento, que terá lugar exatamente daqui a um mês, no próximo dia 13 de junho (sábado), no rio Nabão, entre a “ponte velha” e a “ponte do Flecheiro”, contará com o lançamento de cerca de um milhar de “Lanternas Flutuantes” que iluminarão o rio e a cidade, num espetáculo inolvidável e que já é visitado por muitas centenas de pessoas que, à imagem do que se passou nas anteriores edições, enchem as margens do Nabão nesse fim de tarde / início de noite.

Recordamos que a primeira edição aconteceu no ano letivo 2018/19 e foi um imediato sucesso. Depois, instalou-se a COVID 19 e as vidas ficaram em suspenso. Em 2021/22 voltou o II Festival das Lanternas Flutuantes, dessa vez com o acrescento de “Nenúfares luminosos”. O êxito repetiu-se e acrescentou-se. Seguiram-se os “Jardins de Luz” e o “Passeio Luminoso”. 


Esta tem sido uma sequência de atividades que, no âmbito do “Projeto de Autonomia e Flexibilidade Curricular do Agrupamento”, os alunos e professores do 2º ciclo da EDNAP implementam e oferecem à cidade de Tomar, tendo conquistado já uma projeção e alcance que seriam impensáveis para muitos.


Os “Festivais de Lanternas” tiveram origem na China há cerca de 2.000 anos, mas são muito antigos em todo o Oriente. Mais recentemente conheceram também uma enorme implantação nos Estados Unidos. Apesar da popularidade noutros continentes, o Festival de Lanternas Flutuantes de Tomar foi pioneiro na Europa!

As lanternas – 1000 na sua totalidade – são compostas por uma base de aglomerado de cortiça expandida, com 25 x 25 x 2,5 cm; quatro paus de espetada; papel vegetal e uma vela artesanal.

A decoração das lanternas apresenta dezassete desenhos diferentes, pintados com lápis de cor e evocando o património da cidade de Tomar e da região.

Importa sublinhar que este festival assume o compromisso de ter um “Impacto Zero” no ambiente. As Lanternas são produzidas e realizadas com materiais biodegradáveis. O percurso é acompanhado pelo Centro de Formação Desportiva - Canoagem, recolhendo qualquer material que fique depositado no curso do rio. No final do percurso é feita a recolha dos materiais para reciclagem ou reutilização nas edições seguintes.


A organização do Festival é uma parceria entre o Agrupamento de Escolas Nuno de Santa Maria, a Câmara Municipal de Tomar e a União das Juntas de Freguesia de S. João Baptista e Santa Maria dos Olivais. 

O Festival de Lanternas Flutuantes tem ainda como parceiro a empresa SOFALCA, no fornecimento das placas de aglomerado de cortiça expandida e na reciclagem das placas danificadas durante as edições anteriores.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Palestra "Não Lixes"

Movimento Cívico Ambientalista

No passado dia 12 de maio, pelas 14h30, realizou-se no auditório da Biblioteca Municipal uma palestra pelo Não Lixes… Movimento Cívico Ambientalista, dinamizada pelo programa Eco-Escolas do Agrupamento de Escolas Nuno de Santa Maria.


A iniciativa contou com a participação de alunos do 9.º ano e do Ensino Secundário, proporcionando um momento de reflexão e sensibilização para questões ambientais e de cidadania ativa. Durante a sessão, foram abordados temas relacionados com a preservação do ambiente, a sustentabilidade e a importância do envolvimento da comunidade na proteção do território.

O representante do movimento, Fernando Jorge Paiva (Joca),  partilhou exemplos concretos de intervenção cívica e alertou para a necessidade de adoção de comportamentos mais sustentáveis no dia a dia, incentivando os jovens a terem uma participação mais ativa na defesa do ambiente.


Os alunos participaram de forma interessada e interventiva, colocando diversas questões e demonstrando consciência relativamente aos desafios ambientais da atualidade.


terça-feira, 12 de maio de 2026

«À conversa na escola...»

 À Conversa na Escola

O Agrupamento de Escolas Nuno de Santa Maria convida-vos a participar numa sessão especialmente dedicada ao tema “Ansiedade na Adolescência”, dinamizada em formato de tertúlia - um espaço informal de conversa, reflexão e partilha entre pais.


A adolescência é uma fase de grandes mudanças e desafios, sendo natural o surgimento de ansiedade. No entanto, é fundamental compreender quando essa ansiedade faz parte do desenvolvimento e quando pode exigir maior atenção.

Será uma oportunidade para esclarecer dúvidas, trocar experiências e adquirir ferramentas úteis para apoiar os vossos educandos de forma mais segura e consciente.

  • Quando? 13 de maio / 18 horas
  • Onde? Sala de Reuniões da Esc. Sec. Santa Maria do Olival
  • Dinamização: Carla Martinho e Sofia Henriques

Contamos com a vossa presença! 

A Equipa Técnica Multidisciplinar do AENSM



segunda-feira, 11 de maio de 2026

AENSM na FREEE

No dia 30 de abril, no encerramento das atividades da FREEE, os alunos das disciplinas de Educação Musical, Complemento à Educação Artística e do Clube de Música,  interpretaram  diferentes temas musicais, tais como: Hino do Agrupamento, Rio Nabão, Que o Amor nos Salve Nesta Noite Escura e Malhão, Malhão.


Mais uma vez, os alunos manifestaram muito interesse e empenho na realização da atividade. Todos os presentes aplaudiram e mostraram agrado em assistir à apresentação das canções. 


As docentes de Educação Musical agradecem a todos os alunos participantes pela sua vontade de participar neste evento e agradecem à professora Sílvia Duarte que se disponibilizou para acompanhar os alunos até à FREEE e este presente a recolher imagens e vídeos das diferentes apresentações dos alunos. 

Aqui ficam alguns vídeos:

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