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terça-feira, 28 de março de 2023

Visita à AIRBUS (Toulouse)

Entre os dias 1 e 4 de março, alunos da turma do 12ºE e 12ºD acompanhados pelos professores Miguel Tolda e Júlia Morgado, participaram numa visita de estudo a Toulouse com o propósito de visitar as instalações da maior construtora aeronáutica Europeia - AIRBUS, e outros polos de interesse ligados à aviação e exploração espacial. 


Esta visita tinha como objetivo proporcionar aos alunos da área cientifica a oportunidade de conhecer a linha final de montagem das aeronaves, assim como  outros setores envolvidos no mesmo segmento, mostrando o potencial de empregabilidade que o setor oferece. Para além da visita à linha de montagem dos aviões Airbus A350, também se realizou a visita ao museu Aeroscópia, museu de História Natural de Toulouse e à Cité d´Espace. 



No primeiro dia o grupo visitou a zona histórica da cidade onde se incluiu a Catedral de Toulouse, a praça do Capitólio e o museu de Toulouse. Aqui puderam ver uma excelente amostra de fosseis de Dinossauros do Jurássico, e exposições referentes a múmias e artefactos do período pré-histórico. 


O segundo dia foi inteiramente dedicado à visita das instalações da AIRBUS.  A visita foi feita de autocarro dentro das instalações do complexo. No decorrer da visita passaram tiveram a oportunidade de ver alguns aviões protótipos da marca, tal como os aviões de testes. 



Foi feita a visita à linha final de montagem do AIRBUS A350 - o mais recente avião de longo curso da marca - onde nos foi explicado todo o processo de manufaturação da aeronave. De referir que em Toulouse apenas se procede à montagem dos vários segmentos dos aparelhos, enquanto a produção é feita em vários países europeus, sendo depois cada secção trazida para Toulouse onde é feita a montagem final. 


Para o transporte das várias secções, a AIRBUS utiliza um avião bastante peculiar com a alcunha de Beluga, devido à sua forma se assemelhar precisamente a uma baleia.



Após a visita da AIRBUS, o grupo passou a tarde no museu Aeroscopia, local onde se encontra um vasto leque de aviões históricos e os protótipos reais de todos a família AIRBUS. Aqui estão exposto 2 do 11 Concordes construídos - único avião comercial supersónico a operar em linha aérea.


Para o último dia os alunos puderam vivenciar a Cité d´Espace, local dedicado à exploração espacial, com muitas atividades e exposições interativas, onde se pode realizar algumas das provas de admissão a astronauta, conhecer réplicas de estações espaciais como a MIR e a EAGLE que pousou na Lua, viajar pelo espaço num planetário ou num cinema IMAX, e estar ao lado de um foguetão ARIANE da agência espacial Europeia.



Diretor de Turma 12ºE
Miguel Tolda

quarta-feira, 27 de abril de 2022

A guerra colonial vivida na primeira pessoa

Um testemunho

Terminava a década de sessenta e, em Portugal, vivíamos em pleno Estado Novo, um regime político ditatorial e autoritário que tentava manter a todo o custo as suas colónias ultramarinas, consideradas uma fonte de prestígio e de orgulho nacional, ao mesmo tempo que os povos desses territórios procuravam a sua autodeterminação. Nesse tempo, lá fora condenava-se o colonialismo e os outros países abandonavam massivamente os seus territórios ultramarinos. Apesar de toda a pressão internacional, inclusive da própria ONU, o regime continuava a alimentar a Guerra do Ultramar. Eu era então um jovem como quase todos os que foram obrigados a ir participar nessa mesma guerra.

Tinha acabado o meu curso de Educação Física e preparava-me para entrar no mercado de trabalho, mas sempre receoso de ser chamado para o serviço militar obrigatório. Não fui exceção e, como tantos outros, fui chamado para integrar as fileiras das forças armadas. Até partir para uma das frentes de batalha (Guiné, Angola ou Moçambique) seria uma questão de tempo. E assim foi. Estava eu no quartel de Espinho, quando fui chamado ao comandante para me informar que iria gozar uns dias de férias, para me despedir da família antes de embarcar para a guerra colonial de Moçambique.


Numa demorada viagem de barco, depois de deixar Lisboa, desembarquei em Nacala, com destino a Pundanhar, em Cabo Delgado. Pundanhar ficava junto ao rio Rovuma. Não era uma cidade, nem uma vila, era apenas um aldeamento com palhotas e sem quaisquer instalações militares, minimamente apropriadas. Os soldados dormiam em “quartos” escavados na terra. Não havia nem luz elétrica nem água. A comida era de subsistência e de péssima qualidade: a água que bebíamos, de cor esbranquiçada, era transportada em bidons, faltavam-nos legumes e por vezes também a carne, o arroz trazia sempre uns bichinhos de surpresa.                    

Longe de tudo, “presos” no aldeamento, o tempo custava a passar. Éramos quase todos muito jovens e a juventude pede movimento, pede liberdade. Com vinte e poucos anos, quase meninos, tínhamos sido obrigados a deixar abruptamente lá muito longe, no continente, o conforto das nossas casas, os nossos empregos, a nossa família, os nossos amigos…. Para além de nós, militares, apenas contactávamos de vez em quando com alguns habitantes locais, que viviam em palhotas num pequeno e pobre aldeamento ali por perto e a quem dávamos algum apoio.  Naquele isolamento, havia uma avioneta, que nos visitava ocasionalmente e que nos ligava ao resto do mundo. Quantas vezes ansiei pela sua chegada!


Eram apenas duas as oportunidades de se sair da vedação de arame farpado: ou em operações militares por perigosas picadas e por mato cerrado ou nas colunas de viaturas militares para ir a Palma fazer reabastecimentos de víveres e de outros bens de subsistência. Entre esses acontecimentos procurávamos que o tempo passasse. É natural que um jovem anseie sair, mas nós partíamos sempre apreensivos e receosos de que, pelo caminho, explodisse alguma mina ou fôssemos atacados por aqueles que chamávamos inimigos…e muitas vezes fomos atacados quando regressávamos a Pundanhar! O cenário tornava-se então ainda mais dantesco: viaturas destruídas, mortos e feridos, sem haver condições de socorro imediato para os feridos.

Nestas ocasiões, depois de chegarmos a Pundanhar, tornava-se necessário chamar, via rádio, uma avioneta estacionada em Mueda para se fazer a respetiva evacuação para o hospital de Nampula. Mas, como a avioneta só podia voar de dia, nem sempre este meio de socorro chegava a tempo. E, quando tal acontecia, ficávamos com um camarada morto à espera que fosse possível aterrar uma avioneta ou organizar uma coluna até Palma para levar a respetiva urna. Mais uma família enlutada. Mais uma mãe que choraria a morte do seu filho. E até nestas situações, percorrer os 40 quilómetros entre Pundanhar e Palma consistia num perigo devido aos possíveis ataques e às constantes minas colocadas na picada.

 o tempo parecia nunca mais passar. Olhávamos uns para os outros, pensando quando se lembrariam de nos tirar daquele “buraco”. Ali nada chegava sem termos de correr riscos de o ir buscar. 

Sentíamo-nos esquecidos, abandonados. Faltava-nos conforto, alimentos, e até o correio, que de quando em vez a avioneta nos trazia, chegava a demorar 10 e 15 dias! Era a vinda das notícias possíveis dos familiares e amigos, mas muitas vezes abertas e lidas pela polícia política da PIDE antes de chegarem às nossas mãos, não fosse alguém dizer mal dos que nos tinham obrigado a ir para a guerra! 

E foi nesta situação que tivemos de sobreviver durante mais de dois anos das nossas vidas, não contando o tempo de formação aqui no Continente. Dois anos da nossa juventude. Naquela idade em que tínhamos o direito de ter vivido e de nos termos divertido.

Os anos mais apetecíveis da nossa vida, da minha e daqueles milhares de jovens empurrados para a Guerra Colonial, foram-nos roubados pelos ditadores que viviam em Lisboa e onde nada lhes faltava. Diziam-nos que nos orgulhássemos, pois lutávamos pela Pátria. Felizmente que o 25 de abril de 1974 aconteceu e pôs um término a esta situação, reconhecendo aos povos das suas antigas colónias o direito à autodeterminação. No porto de Lisboa, local onde embarcavam normalmente os militares, gritava-se “Nem mais um soldado para o Ultramar!”. A Guerra Colonial finalmente terminava.

Todas as guerras são violentas. Todas as guerras deixam, inevitavelmente, traumas para toda a vida em quem nelas se vê obrigado a participar. A Guerra Colonial não foi diferente. E estes traumas vividos pela minha geração foram/ são ignorados ou esquecidos por quase todos. Só os que viveram estas situações não se esquecem delas, porque ainda hoje os marcam negativamente. 

E ainda há quem aplauda as guerras!

Mário Tolda Garcia


quinta-feira, 21 de outubro de 2021

World Press Cartoon

 No dia 8 de outubro de 2021, cerca de 50 alunos das turmas 11ºA, B, E, G e respetivos professores (Rosa Fernandes, Margarida Mela, Carlos Matos, Miguel Tolda e Lourdes Durana) realizaram uma visita de estudo ao Centro Cultural das Caldas da Rainha e à zona costeira de Peniche/Baleal.

Na praia do Baleal...

Pela manhã, dirigimo-nos ao Centro Cultural das Caldas das Rainha e, no âmbito das disciplina de Português, História e Cultura das Artes e Inglês, aí tivemos a oportunidade de ver a Exposição "World Press Cartoon", a maior exposição de Cartoons a nível mundial, que  esteve em exibição até 17 de outubro- e que não é alheia à herança de Rafael Bordalo Pinheiro, nome marcante nesta cidade. 

Visita ao World Press Cartoon

Esta exposição remete para a importância da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão, vitais para a nossa democracia. A partir desses cartoons contamos trabalhar os temas da Cidadania numa perspetiva mais lúdica, desenvolvendo o sentido estético e mobilizando processos de reflexão em projetos de cidadania ativa.


Pela tarde, rumámos à zona costeira de Peniche/Baleal. No âmbito da disciplina de Biologia e Geologia visitámos toda a zona do Tômbolo de Peniche, que é um autêntico monumento geológico. Esta riqueza natural deve ser apreciada, respeitada, protegida e preservada, pois é importante para Portugal e para a Europa. À beira mar, no âmbito da disciplina de Educação Física, foi dinamizado um pequeno jogo de voleibol de praia, entre os diferentes alunos das diferentes turmas que participaram na visita.

Ao final do dia, regressámos a Tomar, mais ricos em conhecimento e amizades.

Margarida Vieira (11º A) - Texto
Inês Sousa (11º G) e Mariana Rei (11º B) - Vídeos