Foram mais de 400 adolescentes que se juntaram para ouvir (e sentir) poesia.
Foi mesmo assim: mais de 400 almas, a abarrotar de hormonas e urgências, levados pelos seus professores, juntaram-se no Cineteatro Paraíso e, com os telemóveis arrumados nos sacos, mochilas ou bolsos, estiveram quase duas horas sentados a ouvir… poesia. Meu deus, POESIA!!!
E ainda falaram de coisas difíceis e sérias como violência doméstica, emigração e imigração, direitos humanos, colonialismo, fake news, tolitarismos, direitos e deveres de escolha, neutralidade e cumplicidades, de amor e de morte.
Adolescentes… entre os 15 e os 18 anos… mais de 400! Durante duas horas… sentados… em silêncio… a pensar…
(Ainda há quem diga que as escolas e os professores não fazem milagres.)
Numa organização conjunta das Bibliotecas Escolares do A.E.T e do A.E.N.S.M. nas pessoas das professoras Susana Vieira e Luísa Nunes, respetivamente, e com o apoio financeiro do PEDIME, o ator, poeta e – sobretudo – “diseur” Pedro Lamares trouxe até Tomar o excelente espetáculo “Entre nós e as palavras”.
O que Pedro Lamares tem de mágico é que ele não recita, não declama, não lê, nem diz poesia; ele encarna e trespassa poesia. E é, por isso, um privilégio ouvir as palavras modeladas pela sua voz.
Não há muito como explicar o espetáculo “Entre nós e as palavras” porque é uma coisa que fica mesmo entre “nós” e “as palavras”.
Sortudos os que tiveram a oportunidade (ou a sabedoria) de ir ver, ouvir e sentir! Quanto aos outros, se puderem, da próxima vez vão.
Fica o registo dos poemas lidos. Foram estes, mas por outra ordem, num encadeamento que só faz sentido dentro do espetáculo. Todavia, para quem foi e quer recordar, aqui ficam, por ordem alfabéticas dos autores:
- Alberto Caeiro – “Poema do Menino Jesus”
- Alberto Caeiro – “Quando Vier a Primavera”
- Álvaro de Campos – “Poema em Linha Recta”
- António Lobo Antunes – “Poema aos Homens Constipados”
- Daniel Maia-Pinto Rodrigues – “Singular Tempo Plural”
- Fernando Pessoa – “Não tenho ninguém que me ame”
- Filipa Leal – “Manual de despedida para mulheres sensíveis”
- Francisca Camelo – “A importância do pequeno-almoço”
- Francisca Camelo – “Poema ao Assédio”
- João Paulo Seara Cardoso – “História de um urso velhinho”
- Jorge Sousa Braga – “Portugal”
- José Régio – “Cântico Negro”
- Mário Cesariny de Vasconcelos – “You are welcome to Elsinore”
- Sophia de Mello Breyner Andresen – “As pessoas sensíveis”
- Walter Hugo Mãe – “Coisinhas preciosas para meter no cu”
- Woody Allen – “A minha próxima vida”
José Paulo Vasconcelos(prof. de Português e admirador de poesia)





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