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quarta-feira, 4 de março de 2026

Entre Nós e as Palavras

A sério!

Foram mais de 400 adolescentes que se juntaram para ouvir (e sentir) poesia.

Foi mesmo assim: mais de 400 almas, a abarrotar de hormonas e urgências, levados pelos seus professores, juntaram-se no Cineteatro Paraíso e, com os telemóveis arrumados nos sacos, mochilas ou bolsos, estiveram quase duas horas sentados a ouvir… poesia. Meu deus, POESIA!!!



E ainda falaram de coisas difíceis e sérias como violência doméstica, emigração e imigração, direitos humanos, colonialismo, fake news, tolitarismos, direitos e deveres de escolha, neutralidade e cumplicidades, de amor e de morte.

Adolescentes… entre os 15 e os 18 anos… mais de 400! Durante duas horas… sentados… em silêncio… a pensar…

(Ainda há quem diga que as escolas e os professores não fazem milagres.)


Numa organização conjunta das Bibliotecas Escolares do A.E.T e do A.E.N.S.M. nas pessoas das professoras Susana Vieira e Luísa Nunes, respetivamente, e com o apoio financeiro do PEDIME, o ator, poeta e – sobretudo – “diseurPedro Lamares trouxe até Tomar o excelente espetáculo “Entre nós e as palavras”.

O que Pedro Lamares tem de mágico é que ele não recita, não declama, não lê, nem diz poesia; ele encarna e trespassa poesia. E é, por isso, um privilégio ouvir as palavras modeladas pela sua voz.




Não há muito como explicar o espetáculo “Entre nós e as palavras” porque é uma coisa que fica mesmo entre “nós” e “as palavras”.

Sortudos os que tiveram a oportunidade (ou a sabedoria) de ir ver, ouvir e sentir! Quanto aos outros, se puderem, da próxima vez vão.



Fica o registo dos poemas lidos. Foram estes, mas por outra ordem, num encadeamento que só faz sentido dentro do espetáculo. Todavia, para quem foi e quer recordar, aqui ficam, por ordem alfabéticas dos autores:

José Paulo Vasconcelos
(prof. de Português e admirador de poesia)

quarta-feira, 14 de maio de 2025

“Auto da Barca do Inferno” leva mais de 300 alunos ao teatro em Tomar

O Cineteatro Paraíso, em Tomar, recebeu no passado dia 10 de abril o espetáculo “Auto da Barca do Inferno”, levado a cena pela companhia de teatro “O Sonho”, numa iniciativa promovida no âmbito do PEDIME – Plano Estratégico de Desenvolvimento Intermunicipal da Educação da CIM do Médio Tejo. A sessão, que decorreu entre as 9h30 e as 11h30, contou com a presença de mais de 300 alunos do 9.º ano dos Agrupamentos de Escolas Templários e Nuno de Santa Maria.


A peça, baseada na célebre obra de Gil Vicente, integra os conteúdos programáticos da disciplina de Português do 9.º ano, tendo constituído uma relevante ferramenta pedagógica no apoio à aprendizagem dos alunos.



“Esta peça vem ao encontro daquilo que os alunos estão a estudar e, por isso, representa uma mais-valia, sobretudo porque este não é um texto fácil. O contexto cénico facilita a compreensão e o enquadramento dos conteúdos”, referiu Sónia Bastos, chefe da Divisão de Educação, Intervenção Social e Ambiente do Município de Tomar. A responsável sublinhou ainda o esforço de articulação, entre a CIM Médio Tejo e o município de Tomar, que permite “otimizar a vinda de companhias teatrais e rentabilizar os recursos disponíveis, assegurando o acesso a todos os alunos do concelho”.



A iniciativa envolveu os cinco estabelecimentos de ensino com 9.º ano do concelho, totalizando 186 alunos do Agrupamento Nuno de Santa Maria e 136 do Agrupamento Templários.



A companhia “O Sonho”, responsável por esta encenação dinâmica e interativa, já realizou cerca de 80 apresentações desta obra desde a sua estreia, a 21 de novembro de 2024. O ator Guilherme Semião, que interpreta o Diabo, explicou que a envolvência dos alunos no decorrer do espetáculo é uma decisão cénica intencional.


“Como estamos perante um público jovem, é importante criar momentos de improviso que envolvam os alunos e os mantenham atentos, respeitando sempre o texto de Gil Vicente”, referiu. Dinis Lageiro, que assumiu múltiplas personagens, destacou que “o dinamismo físico da peça é essencial para captar a atenção dos alunos e facilitar a compreensão do texto”.


A interação com os estudantes é apontada pelos atores como desafiante, mas compensadora. “O público infantil não esconde se está a gostar ou não. Hoje correu bem e sentimos os alunos envolvidos”, afirmou Guilherme.



A experiência foi amplamente elogiada pelos alunos. Matilde Alves, Carolina Rosa e Ana Beatriz confessaram ter-se divertido bastante e destacaram que a peça “ajuda muito a perceber melhor a matéria de Português”. A personagem “o Parvo” foi a preferida entre as jovens. Também João Henriques, Simão Silva, Manuel Silva e Tiago Matos sublinharam a importância da atividade, referindo o entusiasmo provocado pelos desempenhos dos atores e o reforço do conteúdo lecionado em sala de aula.

Já a professora Cristina Alves, do Agrupamento Nuno de Santa Maria, enalteceu a iniciativa, agradecendo à CIM Médio Tejo e ao município a oportunidade. “Os atores estiveram magníficos e este tipo de ação é essencial para facilitar a aprendizagem.”

Por último, Maria José Pereira, diretora da Biblioteca Municipal de Tomar, destacou o papel das bibliotecas municipais nestas dinâmicas culturais: “A biblioteca tem sido mediadora entre escolas e CIM Médio Tejo, assumindo um papel preponderante na promoção do desenvolvimento artístico e cultural dos alunos”.

“É muito importante este tipo de momentos envolvendo os alunos porque muitos não têm acesso a estas oportunidades culturais”, concluiu.

O espetáculo de teatro foi assim mais um momento de sucesso no âmbito do PEDIME, refletindo o compromisso da CIM Médio Tejo com uma educação inclusiva, de qualidade e atenta às necessidades atuais.

O PEDIME é cofinanciado pelo Centro2030, através do Fundo Social Europeu.


(Notícia copiada de: https://mediotejo.pt/index.php/noticias/pedime-auto-da-barca-do-inferno-leva-mais-de-300-alunos-ao-teatro-em-tomar)

sexta-feira, 19 de maio de 2023

Celebrar a Liberdade

A cada primavera, o tempo mágico da mudança para um tempo sempre novo. Tempo que antecipamos eivado de justiça, igualdade, partilha, respeito pela identidade de cada um e de cada uma porque, a cada instante, somos instados a inquietarmo-nos com os flagelos, a desumanidade que nos chegam de muitos cantos do mundo. Sabemos que todos os direitos são fundamentais. No entanto, todos eles nascem daquele que é considerado o primacial: a liberdade.

Um grito que se repete de geração em geração

Desde abril de 1974 que temos a feliz experiência de vivermos em liberdade, manancial glorioso; aqueles, muitos, que nasceram durante a ditadura e a maioria que, afortunadamente, não conheceu esses tempos de má memória, do confinamento da identidade cívica.

“Não há machado que corte a raiz ao pensamento”, verso poderoso que, simbolicamente, representa o garrote da ditadura e o promissor horizonte da liberdade.

Porque os cravos somos nós que os fazemos

Figuras heroicas da resistência ao Estado Novo são-nos geograficamente muito próximas (Salgueiro Maia, Humberto Delgado). Emocionalmente, civicamente, vivem connosco. Admiramos o seu altruísmo, a sua ousadia, a sua coragem em dizer NÃO, num tempo em que assumir a heterodoxia punha em perigo a vida pessoal, familiar e profissional. E a própria vida.
Salgueiro Maia viveu alguns anos em Tomar e o “General Sem Medo” nasceu no concelho vizinho de Torres Novas.

Com a participação da Universidade Sénior de Tomar

Celebrar a liberdade e o que ela possibilita a cada um e a cada uma na sua caminhada existencial é, mais que um pulsar de cidadania, uma obrigação moral. E se a esse desígnio se associar a fruição artística (a música, o canto, a dança, o teatro, as artes plásticas), o encantamento vai muito além da brevidade das coisas. E fica enraizado em cada um e em cada uma, no longo pulsar da memória.

Um espetáculo em forma de "ensaio"

Neste âmbito, a Tuna Sabes Cantar (um notável projeto artístico do Agrupamento de Escolas Nuno de Santa Maria, prestes a comemorar 29 anos de existência, composto por atuais e antigos professores, funcionários, encarregados de educação e antigos alunos) tem apresentado, ao longo dos anos, no Cineteatro Paraíso, espetáculos de admirável envergadura artística, de celebração do 25 de Abril e do que este dia representa na construção do mundo novo, livre e moderno, que trouxe aos cidadãos deste país.

A Tuna Sabes Cantar a cantar a Liberdade

Lado a lado, com casa sempre cheia, com a Tuna Sabes Cantar, participa nos espetáculos a Prata da Casa (composta por atuais alunos) e um plural coletivo de artistas convidados.


A Prata da Casa a celebrar as canções de Abril


O belíssimo espetáculo deste ano antecipa a celebração dos 50 anos da revolução de Abril. E, por isso mesmo, teve como título “O Ensaio”, composto por magníficos momentos de criatividade artística, de reflexão. E de encantamento para o vasto público.

A diretora do AENSM, o delegado Regional de Educação e a coordenadora do PNA



E, no dia 26 de abril, no mesmo local, realizou-se uma outra e igualmente feliz festa da democracia e da cidadania, com o “Celebrar o 25 a 26 no Paraíso”, organizada pelo Projeto Humanidades +, desta vez para todas as turmas do 6.º, 9.º e 12.º anos do Agrupamento.

O cartaz realizado pelos alunos






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terça-feira, 25 de abril de 2023