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quarta-feira, 14 de maio de 2025

“Auto da Barca do Inferno” leva mais de 300 alunos ao teatro em Tomar

O Cineteatro Paraíso, em Tomar, recebeu no passado dia 10 de abril o espetáculo “Auto da Barca do Inferno”, levado a cena pela companhia de teatro “O Sonho”, numa iniciativa promovida no âmbito do PEDIME – Plano Estratégico de Desenvolvimento Intermunicipal da Educação da CIM do Médio Tejo. A sessão, que decorreu entre as 9h30 e as 11h30, contou com a presença de mais de 300 alunos do 9.º ano dos Agrupamentos de Escolas Templários e Nuno de Santa Maria.


A peça, baseada na célebre obra de Gil Vicente, integra os conteúdos programáticos da disciplina de Português do 9.º ano, tendo constituído uma relevante ferramenta pedagógica no apoio à aprendizagem dos alunos.



“Esta peça vem ao encontro daquilo que os alunos estão a estudar e, por isso, representa uma mais-valia, sobretudo porque este não é um texto fácil. O contexto cénico facilita a compreensão e o enquadramento dos conteúdos”, referiu Sónia Bastos, chefe da Divisão de Educação, Intervenção Social e Ambiente do Município de Tomar. A responsável sublinhou ainda o esforço de articulação, entre a CIM Médio Tejo e o município de Tomar, que permite “otimizar a vinda de companhias teatrais e rentabilizar os recursos disponíveis, assegurando o acesso a todos os alunos do concelho”.



A iniciativa envolveu os cinco estabelecimentos de ensino com 9.º ano do concelho, totalizando 186 alunos do Agrupamento Nuno de Santa Maria e 136 do Agrupamento Templários.



A companhia “O Sonho”, responsável por esta encenação dinâmica e interativa, já realizou cerca de 80 apresentações desta obra desde a sua estreia, a 21 de novembro de 2024. O ator Guilherme Semião, que interpreta o Diabo, explicou que a envolvência dos alunos no decorrer do espetáculo é uma decisão cénica intencional.


“Como estamos perante um público jovem, é importante criar momentos de improviso que envolvam os alunos e os mantenham atentos, respeitando sempre o texto de Gil Vicente”, referiu. Dinis Lageiro, que assumiu múltiplas personagens, destacou que “o dinamismo físico da peça é essencial para captar a atenção dos alunos e facilitar a compreensão do texto”.


A interação com os estudantes é apontada pelos atores como desafiante, mas compensadora. “O público infantil não esconde se está a gostar ou não. Hoje correu bem e sentimos os alunos envolvidos”, afirmou Guilherme.



A experiência foi amplamente elogiada pelos alunos. Matilde Alves, Carolina Rosa e Ana Beatriz confessaram ter-se divertido bastante e destacaram que a peça “ajuda muito a perceber melhor a matéria de Português”. A personagem “o Parvo” foi a preferida entre as jovens. Também João Henriques, Simão Silva, Manuel Silva e Tiago Matos sublinharam a importância da atividade, referindo o entusiasmo provocado pelos desempenhos dos atores e o reforço do conteúdo lecionado em sala de aula.

Já a professora Cristina Alves, do Agrupamento Nuno de Santa Maria, enalteceu a iniciativa, agradecendo à CIM Médio Tejo e ao município a oportunidade. “Os atores estiveram magníficos e este tipo de ação é essencial para facilitar a aprendizagem.”

Por último, Maria José Pereira, diretora da Biblioteca Municipal de Tomar, destacou o papel das bibliotecas municipais nestas dinâmicas culturais: “A biblioteca tem sido mediadora entre escolas e CIM Médio Tejo, assumindo um papel preponderante na promoção do desenvolvimento artístico e cultural dos alunos”.

“É muito importante este tipo de momentos envolvendo os alunos porque muitos não têm acesso a estas oportunidades culturais”, concluiu.

O espetáculo de teatro foi assim mais um momento de sucesso no âmbito do PEDIME, refletindo o compromisso da CIM Médio Tejo com uma educação inclusiva, de qualidade e atenta às necessidades atuais.

O PEDIME é cofinanciado pelo Centro2030, através do Fundo Social Europeu.


(Notícia copiada de: https://mediotejo.pt/index.php/noticias/pedime-auto-da-barca-do-inferno-leva-mais-de-300-alunos-ao-teatro-em-tomar)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Visita de estudo a Lisboa - 9º ano

Padrão dos Descobrimentos e Torre de Belém

Os dias inquietos, longos e fastidiosos da pandemia já parecem longínquos, agora que recuperámos a liberdade de andar por aqui e por ali, afastados das severas restrições impostas pela Direção-Geral de Saúde. E das malfadadas, mas essenciais, máscaras de proteção.

“Janeiro sem frio não é janeiro”, como diz o aforismo popular. E foi exatamente assim no dia 30 de janeiro. Como bandos de pássaros nas migrações para Sul, as turmas do 9.º ano do Agrupamento viajaram até Lisboa, numa visita de estudo organizada pelos professores de História e de Português


O entusiasmo dos jovens era tanto que o vento cortante de janeiro foi um pormenor a povoar as memórias da caminhada. Tudo o mais era mais importante.

A parte da manhã foi dedicada à viagem pelo tempo histórico, na visita a dois monumentos emblemáticos da cidade de Lisboa e do país: o Padrão dos Descobrimentos e a Torre de Belém


As gaivotas rasavam as águas do Tejo, ponto de partida dos navegadores portugueses para as inúmeras e temerárias viagens “até ao fim do Mundo”, enquanto os alunos preenchiam, em trabalho colaborativo, um guião-roteiro relativo aos dois monumentos, organizado pelos professores de História. 


Entre um dedo de conversa, um encantamento pelo absoluto ou pela brevidade das coisas, e a procura da resposta certa, captaram o momento, os pormenores que consideraram os mais motivadores dos monumentos e da jornada, em centenas de fotografias.


Ida ao teatro - Auto da Barca do Inferno

No começo da tarde, as turmas assistiram ao Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, considerado o pai do teatro português. A atividade, organizada pelos professores que lecionam a disciplina de Português, teve lugar no Auditório do Centro Social de Santa Joana Princesa, e esteve a cargo da Companhia Instantes de Aplauso. Para muitos, era a estreia nas idas ao teatro. Daí, o bom alvoroço que se vivia na sala, muito antes dos atores iniciarem a representação da peça. E, tal como todos antecipavam, nesse tempo de espera, exerceu um grande poder de atração sobre a plateia, que reagia galvanizada a esta ou aquela diatribe, a uma palavra ou expressão mais ousada. A atuação da companhia mereceu um grande aplauso.


Gil Vicente foi dramaturgo na corte portuguesa, onde viveu cerca de 35 anos, na primeira metade do século XVI.  Escrevia e encenava as suas peças, além de organizar as Festas Reais. Foi também poeta e é, provavelmente, o autor da Custódia de Belém, considerada a obra-prima da ourivesaria portuguesa.

O Auto da Barca do Inferno foi representado pela primeira vez, em 1517. A ação passa-se num ancoradouro, onde dois barqueiros, um Anjo e um Diabo (personificando o Bem e o Mal) esperam os passageiros (o fidalgo, o sapateiro, a meretriz, o parvo, o juiz….) para a última viagem: para o Céu ou para o Inferno. O “bilhete” para a “viagem” dependia das ações que cada personagem tinha tido na vida terrena. A peça é uma sátira, uma crítica fortíssima à sociedade da época, o “século de ouro” de Portugal.


Merece um destaque especial o facto de a obra mais famosa de Gil Vicente, A Farsa de Inês Pereira, ter tido a sua primeira representação no Convento de Cristo, em Tomar, no ano de 1523, em honra “do muito alto e mui poderoso rei D. João, o terceiro do nome em Portugal” (D. João III). A propósito de arte e de cultura, este monarca financiou a construção do fabuloso claustro principal do monumento, que tem o seu nome, e a Ermida de Nossa Senhora da Conceição, obras-primas da arte renascentista em Portugal.


Com esta viagem, e as que se fizeram dentro dela, o mundo de cada um e de cada uma ficou muito maior, mais rico e plural.