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sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

Parlamento dos Jovens

Há 2500 anos, em Atenas, cidade-estado da Grécia, nasceu um regime político revolucionário: a democracia. Antes do século V a.C., muitos outros regimes políticos haviam governado os mais diversos povos. Como nenhum outro, a democracia é, desde o advento das revoluções liberais, assentes nos valores iluministas (igualdade, liberdade, justiça, direito ao voto, progresso…), o baluarte dos regimes democráticos modernos.



Apesar de apresentar um caleidoscópio de virtualidades, a democracia não está isenta de insuficiências e de fragilidades, muitas vezes atacadas pelos partidários de outras formas de governo, de cariz autoritário e, por isso mesmo, contrários à natureza humana.



O Projeto Parlamento Jovem insere-se nessa dinâmica de valorização da democracia e dos regimes democráticos, em que todas e todos têm uma palavra a dizer na construção da sua identidade e do seu caminho, bem como ter uma atitude ativa, de intervenção, no rumo a seguir pela comunidade e no país em que se inserem.


Ano após ano, este Agrupamento tem dinamizado este Projeto, criado pela Assembleia da República, com o propósito de incentivar a participação democrática e as boas práticas da cidadania nos alunos do 3.º ciclo e do ensino secundário.



O tema deste ano é “Novas Tecnologias: oportunidades e desafios para os jovens”. Uma das fases do Projeto é o Debate, com a presença de deputados da Assembleia da República. No dia 9 de dezembro, durante a manhã, no Auditório da ESSMO, os elementos que compõem as várias listas candidatas ao Parlamento dos Jovens (do terceiro ciclo e do ensino secundário) puderam contactar diretamente com os deputados eleitos pelo Círculo Eleitoral de Santarém, Hugo Costa, pelo Partido Socialista e Inês Barroso, pelo Partido Social Democrata.



A sessão foi apresentada e moderada pela professora Isabel Conceição, Coordenadora do Projeto. Na mesa esteve, também, a professora Cristina Marques, professora de Informática e Embaixadora Digital do Agrupamento Nuno de Santa Maria.



Os deputados elogiaram os jovens pela ampla participação na edição deste ano (são cinco listas) e, seguidamente, apresentaram a orgânica de funcionamento da Assembleia da República. Depois, responderam às muitas questões que os alunos lhes foram colocando, num debate vivo e estimulante, conjugadas com as intervenções da Coordenadora do Projeto e da Embaixadora Digital.

Dos muitos temas de conversa e discussão partilhadas, estiveram a importância omnipresente das tecnologias no mundo de hoje, dos aspetos positivos associados à sua utilização, sem esquecer seus efeitos perversos, nomeadamente no crescimento harmonioso e saudável das crianças e dos jovens, agora que governos e sociedade, em geral, estão mais atentos e conscientes de alguns malefícios das novas tecnologias, melhor, do seu uso desgovernado. Foi também abordada, e discutida, a importância crescente da Inteligência Artificial, neste mundo em constante mudança.


 José Sobral



quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Palestra sobre o Dia da Eliminação da Violência Contra as Mulheres

O Projeto +Humanidade, do Agrupamento de Escolas Nuno de Santa Maria, realiza, de há anos para cá, várias atividades que pretendem ser, antes de mais, uma reflexão na inquietação a que o “Dia da Eliminação da Violência Contra as Mulheres” estão associado, a da violência exercida sobre as raparigas e as mulheres. Em Portugal e no mundo inteiro. 

Um momento para refletir sobre a "Violência Contra as Mulheres"

Antes de mais, uma atividade de tão amplo espectro, numa sociedade de características – ainda - assumidamente patriarcais, apesar do progresso civilizacional, onde a violência contra as raparigas e as mulheres mostra o lado negro da condição humana. 

O Projeto + Humanidade e o Agrupamento assumem as suas responsabilidades na construção de uma sociedade mais justa e equilibrada, promovendo a discussão, a partilha e o caminho que, potencialmente, pode materializar os padrões humanistas e solidários de uma sociedade que antecipámos, nas melhores utopias e considerações filosóficas e didáticas, mais perfeita e fusional entre homens e mulheres. 

Auditório da Biblioteca Municipal

Esta atividade não é feita para celebrar ou comemorar. Não há motivos para tal. É feita para pensar e para refletir sobre o significado deste Dia, criado pela ONU, feita para nos interrogarmos. Olharmo-nos ao espelho, enquanto sociedade, e mudar comportamentos. 

Alguns testemunhos no âmbito da APAV

Organizada pelo Projeto +Humanidade. A palestra, no Auditório da Biblioteca Municipal de Tomar, no passado dia 26 de novembro, para todas as turmas do 11.º ano, foi presidida pela Diretora do Agrupamento, Dra. Maria Celeste Sousa. A Diretora, na abertura, expôs a importância da jornada de reflexão no âmbito dos valores e da cidadania, dos propósitos que a todos dizem respeito. 


Momento da abertura dos trabalhos

A palestra teve dois excelentes comunicadores, apresentados pela Coordenadora do Projeto, Dra. Isabel Conceição: o Dr. Gustavo Duarte, Psicólogo da APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima), de Santarém, e o Dr. João Guilherme Pires da Silva, Juiz no Tribunal de Família e de Menores, no Tribunal de Tomar. 

Dr. Gustavo Duarte - psicólogo da APAV

Com larga experiência na área em questão, deram um contributo precioso aos jovens alunos das problemáticas associadas à violência contra as mulheres e raparigas, desde as questões sociais e da mentalidade que persistem, das respostas emocionais e jurídico-legais que são disponibilizados pelo Estado, pela APAV e outras instituições, que desenvolvem um papel notável no acompanhamento e proteção das vítimas, nelas incluindo as casas-abrigo, para onde são encaminhadas as mulheres e raparigas que correm maiores perigos. 


Auditório da Biblioteca Municipal

As comunicações, de grande qualidade e empatia, foram enriquecidas pelas questões que foram sendo colocadas aos convidados pelos alunos e professores, num ambiente de grata partilha.  

O Dr. João Guilherme Pires da Silva não pôde estar na palestra, desde o seu início. Motivo: teve de permanecer no seu local de trabalho, o Juízo de Família e de Menores, do Tribunal de Tomar, a resolver um caso de violência doméstica. 

Dr. João Pires da Silva - juiz no Juízo de Família e de Menores em Tomar

Foi uma atividade muito significativa, uma jornada de debate e reflexão sobre um tema infelizmente sempre atual na nossa sociedade, um atropelo brutal à identidade e personalidade das dezenas de milhar de vítimas, na negação dos direitos fundamentais, que assistem a todos. Mulheres e homens. 

 José Sobral




terça-feira, 23 de maio de 2023

Erasmus+ - Job Shadowing em Puerto del Rosario

Três professores do AENSM deslocaram-se ao “IES de Puerto del Rosario” (ilha de Fuerteventura – Canarias) para uma “imersão profissional” numa escola espanhola.

A bandeira portuguesa à entrada do IES de Puerto del Rosario
 
Estes professores - José Sobral, Paulo Antunes e José Paulo Vasconcelos – integraram a vida escolar do “Instituto de Educación Secundaria” entre os dias 15 e 19 de maio, tendo participado nas mais diversas dinâmicas e atividades deste centro escolar.

Participação numa reunião da equipa Erasmus+ do IES

 Ao longo da estada, foi possível que os professores do AENSM vissem, experimentassem e questionassem sobre práticas educativas relacionadas com:
  • Comunicação interna e externa
  • Medidas de acompanhamento pedagógico
  • Educação inclusiva e medidas de integração
  • Ações de dinamização da escola
  • Processo de avaliação dos alunos
  • Integração digital nas práticas letivas
  • Plano tecnológico e digital na escola
O equivalente aos nossos Centro de Apoio às Aprendizagens

O balanço final desta atividade foi largamente positivo, sendo que os três professores consideram que as aprendizagens que foi possível retirar destes dias são numerosas, interessantes e, nalguns casos, francamente aplicáveis à nossa realidade.

Participação numa atividade de "animação do intervalo"

Importa deixar uma palavra de agradecimento e de reconhecimento à equipa Erasmus do “IES de Puerto del Rosario”, sobretudo aos colegas Raquel Sánchez Luis e Juan López Valera que se mostraram inexcedíveis em termos de simpatia e disponibilidade. Uma palavra de reconhecimento igualmente à diretora do IES, Mary Carmen González, pela amabilidade e empatia reveladas.


A "horta pedagógica" (ou uma outra forma de lidar com os casos de indisciplina)


E porque “os da casa” não se devem esquecer, um agradecimento também muito especial ao coordenador Erasmus no AENSM – Luís Colaço – pelo extraordinário trabalho de coordenação e organização que tem vindo a realizar, e à direção do AENSM, na pessoa da sua diretora, Maria Celeste Sousa, por ter possibilitado esta oportunidade de aprendizagem e de troca de experiências.


Com Mary Carmen (esq.) e Raquel Sanchez (dir.) no último dia

Importa esclarecer que esta mobilidade se fez integrada nas atividades do núcleo Erasmus+ do AENSM, e no eixo “JobShadowing”. Esta ação pretende proporcionar experiências em que os participantes possam passar um período de tempo numa instituição de acolhimento de um outro país, com o objetivo de aprender novas práticas e de recolher ideias e sugestões através da observação e interação com os pares, com especialistas ou outros parceiros no seu trabalho diário na instituição de acolhimento.

Puerto del Rosario - a capital da ilha Fuerteventura (Canárias)

José Paulo Vasconcelos

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sexta-feira, 28 de abril de 2023

Celebrar o 25 a 26 no Paraíso

Celebrar o 25 de Abril
26
Cineteatro Paraíso



No hemisfério norte, abril tem um significado muito especial. É verdade que a Primavera começa no mês anterior, mas é neste que a Mãe-Natureza nos presenteia com os encantamentos que associamos a esta época do ano: a cor, o brilho, a pujança, a renovação, a metamorfose das paisagens por onde corremos, por onde se espraia o olhar e o pensamento.

Em Portugal, além desse maravilhamento estético e emocional, celebramos a Revolução que nos trouxe de volta a democracia e a liberdade, passados quase cinquenta anos de ditadura. Mais precisamente, longos quarenta e oito anos, de 1926 a 1974; primeiro, a ditadura militar e, a partir de 1932, a ditadura salazarista ou Estado Novo, até ao 25 de abril de 1974.

Os militares, em 1926, através de um golpe de Estado, puseram fim à democracia. E são eles que a trazem de volta, em abril de 1974.

Celebrar a democracia e a liberdade é um dever cívico de cada um e de cada uma, sempre. Nos tempos que correm, ainda mais, porque em muitos países, em várias regiões do mundo, os regimes democráticos estão sob ataque cerrado de movimentos neofascistas, xenófobos e racistas. E tudo o que se faça para valorizar a liberdade e a democracia é vital para a formação dos jovens cidadãos.

E foi nesse contexto da formação humanista e da cidadania, que o Projeto +Humanidades, do Agrupamento de Escolas Nuno de Santa Maria, planeou e deu corpo à atividade “Celebrar o 25 de Abril”, no Cineteatro Paraíso, a 26 de abril, para todas as turmas que frequentam o 6.º, 9.º e 12.º anos.

Mais de 400 alunos no cineteatro Paraíso

A professora Angelina Oliveira, na qualidade de vice-coordenadora do Projeto +Humanidades, deu as boas-vindas ao vasto e vibrante público que encheu, por completo, o Cineteatro, e enunciou os objetivos que presidiram à celebração, como atrás se enunciou, realçando que é na junção e na partilha que se alcançam os melhores resultados, querendo com isso reforçar que, na realização da atividade, participaram vários projetos do Agrupamento, várias pessoas – a título individual ou integradas num coletivo - muitas vontades, perspetivas plurais e sensibilidades, que se ajustaram harmoniosamente a um propósito maior.

Prof.ª Angelina Oliveira

Logo após, o Projeto “Um Gesto de Afirmação” apresentou uma admirável performance de dança contemporânea, pelas bailarinas Inês Morgado, Margarida Santos, Francisca Araújo e Erica Carreira. A coreografia, original, é obra das jovens executantes. Ao mesmo tempo, a Mariana Rei, do mesmo Projeto, e aluna do 12.º ano, turma B, de Humanidades, dizia um poema da sua autoria que, pelo seu significado, beleza, sensibilidade e vasto território poético, se transcreve.

A junção de música, movimento e palavras


Encontrar a felicidade, num Portugal Livre

Tenho medo

Tenho medo de falar,
tenho medo de abrir a porta,
tenho medo de sair.
Não tenho onde ir,
fico em casa, onde pertenço
sou parte da mobília, já com pó.
Com as lágrimas desgasto o lenço,
fico sempre no mesmo lugar,
não posso rir, posso chorar
de mim ninguém tem dó.

O meu marido foi preso,
faz hoje 8 semanas e 4 dias
não tenho notícias dele
não sei o que lá lhe fazem,
quando comprou ao nosso mais novo
uma banda desenhada estrangeira 
comprou um bilhete só de ida,
e de uma ou outra maneira
não tivemos direito a despedida.

A minha irmã queria ser enfermeira,
entretanto arranjou um rapazito
mas tal como já lhe tinham dito
era preciso ser solteira.

A minha outra irmã viu também o marido
passar uma noite na prisão
por lhe ter dado um beijo num jardim
quando este regressou da guerra.
Sempre com o coração na mão
pensou que dessa é que era o fim.

Que tempo é este, em que vivo?
Deus, estou a perder a fé
Pátria, não pertenço a este país
Família, foi me tirada.
Tudo o que não quero, nem nunca quis,
é o que vivi e estou a viver
queria saber ser feliz
oh, lá vão esses dias…

Estado Novo,
já não é novo, já dura tempo a mais.
Ditadura, quando é que cais?

Tantos lutaram, nas colónias e mesmo cá, 
país dos cofres cheios e dos bolsos vazio
tantos sofreram, tantos morreram
tantos foram, e não regressaram
tantas bocas caladas à força
tantos olhos tapados
e ouvidos surdos
tanta falta de liberdade
tantos jornais mudos.
Só crescia a vontade
de uma mudança de regime.

Agradeço aos capitães
que nos libertaram deste jogo político
do qual éramos reféns.

Semearam cravos
colheram liberdade 
enterraram a censura
e mudaram a sociedade.



A Mariana Rei, convidada para apresentar a atividade no Cineteatro, continuou, exemplarmente.


.  
«Estamos aqui para celebrar Abril, o 25 de abril, a revolução que nos trouxe de volta a democracia.
O capitão Salgueiro Maia, o rosto da Revolução que simboliza o triunfo da liberdade sobre a ditadura está muito ligado a Tomar, cidade onde viveu parte da sua adolescência.

E da noite mais escura, uma flor se ergueu, raiada de luz, prenhe de toda a esperança.
Tão longa a espera.
E da longa espessura da noite, quase 50 anos, a aurora radiosa para um mundo novo. Para um Portugal livre.

Santarém. Madrugada de 25 de abril de 1974.

Chegou a hora. Não é possível esperar mais.
No quartel, os camuflados são vestidos à pressa e o Capitão passa a mensagem de boca em boca “Camaradas, que ninguém esmoreça. A vitória é nossa, antes que anoiteça!”
Sobre o último casario da cidade e sobre a cabeça da coluna que se dirige para Lisboa, um bando de corvos grasnava com vigor. O jovem Capitão, de nome Salgueiro Maia, não se deixou impressionar com as aves de mau agoiro e comentou com o seu ajudante:
- Há um mês não deu certo. É agora!
O jovem capitão referia-se à última tentativa dos militares para derrubarem a ditadura do Estado Novo, que começara no quartel das Caldas da Rainha, em 16 de março de 1974. A tentativa fracassou e os oficiais foram presos.

Nós sabemos. Todos nós sabemos: não há nada de mais sagrado que a LIBERDADE».


major-general Adelino Coelho (ao centro) e o coronel Luís de Albuquerque (à direita)
 
Depois, apresentou os dois convidados: o major-general Adelino de Matos Coelho e o coronel Luís Paulo Correia Sodré de Albuquerque.

O primeiro palestrante foi um dos corajosos oficiais do Golpe das Caldas da Rainha. Oficial-general com um vastíssimo currículo, era tenente no quartel das Caldas da Rainha, quando integrou a última tentativa para derrubar a ditadura. Como afirmou, o golpe não foi tão bem preparado quanto seria desejável e acabou por fracassar – como haviam fracassado mais de uma dezena de tentativas - tendo os oficiais sido presos e libertados só após o 25 de Abril. Enquadrou o seu testemunho entre o golpe das Caldas e o curto espaço de tempo que medeia até à Revolução, bem como da situação insolúvel da guerra colonial em Angola, Moçambique e na Guiné. Como referiu, a longa guerra colonial que começara em 1961 pela recusa do Estado Novo em conceder a independência às colónias africanas, acabou por criar um grande descontentamento entre os militares (pela guerra, em si, e também, pela ultrapassagem dos oficiais formados na Academia Militar por outros que não tinham tido essa formação, criando injustiças na ascensão da carreia) e na sociedade portuguesa. Falou, igualmente, das dificuldades organizativas do golpe e da vigilância sempre muito apertada da PIDE, a polícia política do Estado Novo, bem como dos ensinamentos retirados do fracassado Golpe das Caldas para não serem repetidos no 25 de Abril. Otelo Saraiva de Carvalho, um dos estrategas do 25 de Abril, esteve na organização do Golpe das Caldas. Felizmente, não foi preso. Aprendeu com os erros e pôde preparar com eficácia a Revolução triunfante.

A importância do 16 de março para o 25 de abril

Entre o fim da primeira palestra e a segunda, os professores Júlia Quadros, José Morgado, Isabel Gamelas e Isabel Carvalho cantaram “Trova do vento que passa”, de Manuel Alegre e António Portugal, gravada em 1963 e popularizada por Adriano Correia de Oliveira.

Júlia Quadros, Isabel Gamelas, Isabel Carvalho e José Morgado

O segundo convidado, o coronel Luís Paulo Correia Sodré de Albuquerque começou por contar como viveu o 25 de Abril. Era um adolescente de onze anos e não foi à escola porque, na cidade onde vivia, o Porto, os militares tinham tomado conta das ruas e se vivia um dia muito diferente de todos os outros. Ele, a família e as pessoas, em geral, seguiam o desenrolar da Revolução através da rádio e da RTP (a preto e branco). Salientou o papel do capitão Salgueiro Maia, de Otelo Saraiva de Carvalho no sucesso do 25 de Abril, dos momentos de tensão e de quase confronto entre militares a favor e contra o fim da ditadura. Por fim, abordou o período de grande instabilidade que sucedeu ao 25 de Abril, até à vitoria definitiva da democracia em Portugal, consagrada na Constituição de 1976.

 Coronel Luís Paulo Correia Sodré de Albuquerque

Ao mesmo que o coronel Luís de Albuquerque apresentava a sua comunicação, a Anaís Fernandes, aluna de Artes, do 11.º F, pintava o retrato do celebrado cantautor Zeca Afonso, criador de “Grândola, Vila Morena”, canção-símbolo da Revolução do 25 de Abril de 1974.

Anaís Fernandes a pintar "ao vivo"


E mais palavras, lidas pela voz bem calibrada da Mariana Rei.

«Das profundas mudanças que o 25 de Abril trouxe à sociedade portuguesa, uma das mais notáveis foi a igualdade de direitos para as mulheres. Até aí, numa sociedade conservadora e machista – e com um estatuto de subalternidade relativamente aos homens – as portuguesas passam a afirmar-se e a poder ocupar todas as profissões e papéis sociais.

A terceira convidada, a piloto Lígia Albuquerque, um dos espelhos dessa mudança, infelizmente, por motivos de saúde, não pôde estar presente. Nascida e criada no Porto, tem mais de duas décadas a competir nas várias modalidades do automobilismo: campeonatos de velocidade, ralis e todo-o-terreno. Tem ainda a melhor classificação nacional no campeonato WRC (senhoras).»



Em solidariedade para com a intrépida piloto, foi apresentada a sua nota biográfica e um breve testemunho, em vídeo, elaborado pela Mariana Rei.

A celebração continuou com mais uma notável intervenção musical, a cargo de alguns alunos da Prata da Casa: Anaís Fernandes, Francisca Porto, David Miño, Carolina Freitas, Joana Pereira, Pedro Marques e dos professores José Morgado, Júlia Quadros, Isabel Carvalho e Isabel Gamelas.

A "Prata de Casa"

Numa breve intervenção, antes de se juntar aos restantes cantores, a Anais Fernandes explicou o contexto e o significado do retrato que pintou de Zeca Afonso, com a técnica de acrílico sobre tela. E diga-se sem rodeios, com grande mestria.

Num misto de recato na comunicação e de orgulho em Zeca Afonso, a Anaís falou da estória que está por detrás do retrato do cantautor. Zeca Afonso estava no exílio em Paris, França, e preparava-se para participar numa manifestação que exigia o fim da ditadura em Portugal.

A história deste retrato por Anaís Fernandes

Foram feitas resmas de cópias de cartazes com este retrato, para serem utilizados nessa manifestação. Entretanto, dá-se a Revolução do 25 de Abril e Zeca Afonso regressa a Portugal o mais rápido que pôde. Por essa razão, o seu retrato deixou de ter, felizmente, a função a que se destinara. A democracia e a liberdade haviam triunfado no nosso país.

Alunos e professores a cantar abril

Após os belíssimos momentos musicais, e dos prolongados e mais do que merecidos aplausos, foi apresentado um vídeo, com o testemunho de alguns alunos do 4.º ano que frequentaram o Clube UBUNTU. No registo efetuado, expressaram com clareza e espontaneidade o que pensam sobre “ditadura” e “liberdade”.

O cartaz do 25 de abril feito pelos alunos

A Diretora do Agrupamento, professora Celeste Sousa, valorizou a atividade e saudou os seus promotores, os objetivos a que se propuseram, centrados no humanismo, na cidadania e na apologia dos valores democráticos. Agradeceu, também, aos ilustres convidados e aos alunos, que acolheram com entusiasmo a celebração coletiva.

Celeste Sousa no uso da palavra

Por sua vez, a professora Angelina Oliveira, em nome do Projeto +Humanidades, agradeceu a todos os intervenientes: Um Gesto de Afirmação (dança; declamação de poema e apresentação da atividade, na pessoa da Mariana Rei); Arte+ (cartaz e programa); convidados (major-general Adelino de Matos Coelho e coronel Luís Sodré de Albuquerque); professor José Paulo Vasconcelos (fotografia); Clube UBUNTU (registo vídeo); Prata da Casa (coletivo de alunos e professores: Anaís Fernandes, Francisca Porto, David Miño, Carolina Freitas, Joana Pereira, Pedro Marques e dos professores José Morgado, Júlia Quadros, Isabel Carvalho e Isabel Gamelas); a professora Lisete Lapa e os alunos do Curso Profissional de Multimédia (gravação vídeo); Fernando Paulo (técnico de som), aos alunos e professores acompanhantes, que contribuíram generosamente para o êxito da iniciativa, simultaneamente tão rica, tão plural e, por isso mesmo, tão gratificante.


A terminar a atividade, um momento-surpresa com os alunos do 6.º C, a cantar “Grândola, Vila Morena”, a capella, com o público a acompanhar. Em uníssono.

Unidos pela voz

José Sobral



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25 de Abril




quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Visita de estudo a Lisboa - 9º ano

Padrão dos Descobrimentos e Torre de Belém

Os dias inquietos, longos e fastidiosos da pandemia já parecem longínquos, agora que recuperámos a liberdade de andar por aqui e por ali, afastados das severas restrições impostas pela Direção-Geral de Saúde. E das malfadadas, mas essenciais, máscaras de proteção.

“Janeiro sem frio não é janeiro”, como diz o aforismo popular. E foi exatamente assim no dia 30 de janeiro. Como bandos de pássaros nas migrações para Sul, as turmas do 9.º ano do Agrupamento viajaram até Lisboa, numa visita de estudo organizada pelos professores de História e de Português. 


O entusiasmo dos jovens era tanto que o vento cortante de janeiro foi um pormenor a povoar as memórias da caminhada. Tudo o mais era mais importante.

A parte da manhã foi dedicada à viagem pelo tempo histórico, na visita a dois monumentos emblemáticos da cidade de Lisboa e do país: o Padrão dos Descobrimentos e a Torre de Belém. 


As gaivotas rasavam as águas do Tejo, ponto de partida dos navegadores portugueses para as inúmeras e temerárias viagens “até ao fim do Mundo”, enquanto os alunos preenchiam, em trabalho colaborativo, um guião-roteiro relativo aos dois monumentos, organizado pelos professores de História. 


Entre um dedo de conversa, um encantamento pelo absoluto ou pela brevidade das coisas, e a procura da resposta certa, captaram o momento, os pormenores que consideraram os mais motivadores dos monumentos e da jornada, em centenas de fotografias.


Ida ao teatro - Auto da Barca do Inferno

No começo da tarde, as turmas assistiram ao Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, considerado o pai do teatro português. A atividade, organizada pelos professores que lecionam a disciplina de Português, teve lugar no Auditório do Centro Social de Santa Joana Princesa, e esteve a cargo da Companhia Instantes de Aplauso. Para muitos, era a estreia nas idas ao teatro. Daí, o bom alvoroço que se vivia na sala, muito antes dos atores iniciarem a representação da peça. E, tal como todos antecipavam, nesse tempo de espera, exerceu um grande poder de atração sobre a plateia, que reagia galvanizada a esta ou aquela diatribe, a uma palavra ou expressão mais ousada. A atuação da companhia mereceu um grande aplauso.


Gil Vicente foi dramaturgo na corte portuguesa, onde viveu cerca de 35 anos, na primeira metade do século XVI.  Escrevia e encenava as suas peças, além de organizar as Festas Reais. Foi também poeta e é, provavelmente, o autor da Custódia de Belém, considerada a obra-prima da ourivesaria portuguesa.

O Auto da Barca do Inferno foi representado pela primeira vez, em 1517. A ação passa-se num ancoradouro, onde dois barqueiros, um Anjo e um Diabo (personificando o Bem e o Mal) esperam os passageiros (o fidalgo, o sapateiro, a meretriz, o parvo, o juiz….) para a última viagem: para o Céu ou para o Inferno. O “bilhete” para a “viagem” dependia das ações que cada personagem tinha tido na vida terrena. A peça é uma sátira, uma crítica fortíssima à sociedade da época, o “século de ouro” de Portugal.


Merece um destaque especial o facto de a obra mais famosa de Gil Vicente, A Farsa de Inês Pereira, ter tido a sua primeira representação no Convento de Cristo, em Tomar, no ano de 1523, em honra “do muito alto e mui poderoso rei D. João, o terceiro do nome em Portugal” (D. João III). A propósito de arte e de cultura, este monarca financiou a construção do fabuloso claustro principal do monumento, que tem o seu nome, e a Ermida de Nossa Senhora da Conceição, obras-primas da arte renascentista em Portugal.


Com esta viagem, e as que se fizeram dentro dela, o mundo de cada um e de cada uma ficou muito maior, mais rico e plural.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Parlamento dos Jovens - Ensino básico e Ensino secundário

O Agrupamento de Escolas Nuno de Santa Maria, como tem acontecido em anos letivos anteriores, abraçou, desde a primeira hora, o Programa Parlamento dos Jovens.

É uma iniciativa da Assembleia da República, de grande envergadura, criada em 2006, e dirigida aos alunos dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário. O público-alvo são as escolas do ensino público, particular e cooperativo de Portugal continental, das Regiões Autónomas e dos círculos da Europa e de Fora da Europa.




Fazem parte do Programa os seguintes objetivos: educar para a cidadania, estimulando o gosto pela participação cívica e política; promover o debate democrático, o respeito pela diversidade de opiniões e pelas regras de formação das decisões; incentivar a reflexão e o debate sobre um tema, definido anualmente; estimular as capacidades de expressão e argumentação na defesa das ideias, com respeito pelos valores da tolerância e da formação da vontade da maioria; sublinhar a importância da sua contribuição para a resolução de questões que afetem o seu presente e o futuro individual e coletivo, fazendo ouvir as suas propostas junto dos órgãos do poder político.


O Programa, é estruturado em três fases (1.ª Fase: Sessão Escolar; 2.ª Fase: Sessão Distrital/Regional e 3.ª Fase: Sessão Nacional), desenvolvidas ao longo do ano letivo. O Programa completa-se com a realização de duas Sessões Nacionais, na Assembleia da República: uma destinada aos alunos dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e uma destinada aos alunos do ensino secundário.


Até ao presente, no Agrupamento, foram realizadas as várias etapas que constituem a 1.ª FASE: Sessão Escolar. É nesta fase que se leva a informação às turmas e, desse modo, se inicia a motivação das  mesmas - com o acompanhamento e a dinamização dos vários professores responsáveis pela atividade - para todo o processo, que é muito exigente, dada a amplitude de objetivos e o espaço temporal em que se desenvolve, se debate o tema proposto (este ano sujeito ao tema: Saúde mental: Que desafios? Que respostas?)   e se organiza o processo eleitoral, onde se inclui a formação de listas candidatas à eleição de deputados, a campanha eleitoral propriamente dita e o subsequente processo eleitoral, que culmina na eleição dos deputados à Sessão Escolar.


Uma das etapas da 1.ª fase é a vinda de um deputado da Assembleia da República à escola, o que aconteceu no dia 19 de dezembro. Nesse contexto, no Anfiteatro da ESSMO, teve lugar uma palestra com a presença do deputado da Assembleia da República pelo círculo eleitoral de Santarém, Hugo Costa, eleito pelo partido socialista e natural das Cabeças. A sessão, destinada aos elementos das listas do ensino básico e do ensino secundário, contou, também, com a preciosa colaboração da Enfermeira Rute Galvão.


O deputado Hugo Costa elogiou os muitos jovens presentes, pela muito ampla participação na sessão deste ano letivo do Parlamento dos Jovens e, seguidamente, apresentou como se estruturam os poderes em Portugal, bem como a orgânica de funcionamento da Assembleia da República. Depois, respondeu às questões que os alunos lhe foram colocando, com o natural entusiasmo e ímpeto juvenil, onde nada fica por dizer. “Silenciadas foram as nossas bisavós e avós”, afirmava, há dias, num corredor da Escola, uma jovem cidadã. Em suma, esta iniciativa é um mais um momento decisivo na construção do pensamento racional dos jovens, na apresentação clara e consistente daquilo que consideram a ordem justa das coisas, de modo a tentarem soluções capazes de limar as muitas imperfeições que ainda fragilizam o quotidiano da comunidade.


Por sua vez, a Enfermeira Rute Galvão, especialista na área da Saúde Mental da Lezíria e Médio Tejo, falou da sua experiência de 20 anos de serviço nesta área da Saúde Pública: o que foi feito, os tabus e preconceitos que, aos poucos, se foram esboroando; o que é necessário continuar a fazer no domínio da prevenção e das terapias, bem como forneceu informações preciosas sobre como os jovens podem ter os apoios que já existem nesta área específica, aventando, também, possibilidades de medidas a serem propostas pelas diferentes listas. Muito disponível, conhecedora e entusiasta na comunicação, não deixou nenhuma questão por responder.

Este ano, os alunos do ensino básico, do 9.º ano, formaram quatro listas – o que constitui um recorde de participação. Os jovens do ensino secundário organizaram-se em duas.

Na tarde do dia 6 de janeiro, final da semana que antecedeu a campanha eleitoral, no Polivalente da ESSMO, todas as listas brilharam na apresentação das medidas que acreditam podem contribuir para ajudar a ultrapassar uma questão muito séria da saúde pública em Portugal, nomeadamente entre os jovens: a saúde mental – que desafios? Que respostas?


.Nos dias 9 e 10 de janeiro, teve lugar a campanha eleitoral, num ambiente plural e festivo; no dia 9, a das listas do ensino básico (na ESSMO, para o 9.º ano e na EDNAP, direcionada para as turmas do 7.º e do 8.º ano). No dia 10, decorreu a campanha eleitoral das listas do ensino secundário.


No dia 12 de janeiro, na ESSMO e na EDNAP, teve lugar a eleição dos deputados para a Sessão Escolar, tendo sido eleitos 31 deputados das listas do ensino básico e 15, do ensino secundário. A taxa de participação dos alunos do 7.º ao 12.º ano no ato eleitoral foi muito boa.


A Sessão Escolar realizou-se no dia 19. Num ambiente muito vivo e convicto, os jovens deputados discutiram as várias propostas de medidas apresentadas pelas listas. Depois, foram aprovadas as três medidas que constam do Projeto de Recomendação do Agrupamento, tendo sido eleitos os representantes, titulares e suplentes, à Sessão Distrital, num total de quatro elementos. O mesmo processo foi mimetizado pelas listas do ensino secundário. Foram, também, eleitos os deputados, candidatos a Presidente da Mesa da Sessão Distrital; um por cada nível de ensino.

Este ano, a Sessão Distrital será realizada em Santarém, no próximo mês de março: no dia 13, para os alunos do ensino básico, no Teatro Sá da Bandeira; no dia 14, para os alunos do ensino secundário, em local a definir.


Os deputados titulares do ensino básico são as alunas Inês Roque e Ana Novaes; as suplentes, Margarida Nunes e Matilde Silva. O deputado candidato a Presidente da Mesa da Sessão Distrital é o aluno Francisco Macedo.


Os deputados titulares do ensino secundário são as alunas Margarida Vieira e Mariana Rei; a suplente, Eva Furtado. A deputada candidata à mesa da Sessão Distrital é a aluna Joana Valada.



Em jeito de conclusão, os professores Judite Calado, José Sobral, Paulo Mendes, Isabel Conceição e Isabel Carvalho que, em colaboração estreita e continuada com os alunos, dinamizaram as diferentes etapas desta 1.ª Fase e os acompanharam no processo, criando-lhe as circunstâncias propiciadoras para o seu envolvimento, para o bom decorrer da formação das listas,  da exposição e do  confronto de opiniões, da conversação e do debate, expressam o seu contentamento pela forte adesão e dinâmica, pelo entusiasmo e o investimento efetuado pelas dezenas de alunos que participaram nesta atividade cívica, simultaneamente tão desafiante e tão exigente.