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sexta-feira, 28 de abril de 2023

Celebrar o 25 a 26 no Paraíso

Celebrar o 25 de Abril
26
Cineteatro Paraíso



No hemisfério norte, abril tem um significado muito especial. É verdade que a Primavera começa no mês anterior, mas é neste que a Mãe-Natureza nos presenteia com os encantamentos que associamos a esta época do ano: a cor, o brilho, a pujança, a renovação, a metamorfose das paisagens por onde corremos, por onde se espraia o olhar e o pensamento.

Em Portugal, além desse maravilhamento estético e emocional, celebramos a Revolução que nos trouxe de volta a democracia e a liberdade, passados quase cinquenta anos de ditadura. Mais precisamente, longos quarenta e oito anos, de 1926 a 1974; primeiro, a ditadura militar e, a partir de 1932, a ditadura salazarista ou Estado Novo, até ao 25 de abril de 1974.

Os militares, em 1926, através de um golpe de Estado, puseram fim à democracia. E são eles que a trazem de volta, em abril de 1974.

Celebrar a democracia e a liberdade é um dever cívico de cada um e de cada uma, sempre. Nos tempos que correm, ainda mais, porque em muitos países, em várias regiões do mundo, os regimes democráticos estão sob ataque cerrado de movimentos neofascistas, xenófobos e racistas. E tudo o que se faça para valorizar a liberdade e a democracia é vital para a formação dos jovens cidadãos.

E foi nesse contexto da formação humanista e da cidadania, que o Projeto +Humanidades, do Agrupamento de Escolas Nuno de Santa Maria, planeou e deu corpo à atividade “Celebrar o 25 de Abril”, no Cineteatro Paraíso, a 26 de abril, para todas as turmas que frequentam o 6.º, 9.º e 12.º anos.

Mais de 400 alunos no cineteatro Paraíso

A professora Angelina Oliveira, na qualidade de vice-coordenadora do Projeto +Humanidades, deu as boas-vindas ao vasto e vibrante público que encheu, por completo, o Cineteatro, e enunciou os objetivos que presidiram à celebração, como atrás se enunciou, realçando que é na junção e na partilha que se alcançam os melhores resultados, querendo com isso reforçar que, na realização da atividade, participaram vários projetos do Agrupamento, várias pessoas – a título individual ou integradas num coletivo - muitas vontades, perspetivas plurais e sensibilidades, que se ajustaram harmoniosamente a um propósito maior.

Prof.ª Angelina Oliveira

Logo após, o Projeto “Um Gesto de Afirmação” apresentou uma admirável performance de dança contemporânea, pelas bailarinas Inês Morgado, Margarida Santos, Francisca Araújo e Erica Carreira. A coreografia, original, é obra das jovens executantes. Ao mesmo tempo, a Mariana Rei, do mesmo Projeto, e aluna do 12.º ano, turma B, de Humanidades, dizia um poema da sua autoria que, pelo seu significado, beleza, sensibilidade e vasto território poético, se transcreve.

A junção de música, movimento e palavras


Encontrar a felicidade, num Portugal Livre

Tenho medo

Tenho medo de falar,
tenho medo de abrir a porta,
tenho medo de sair.
Não tenho onde ir,
fico em casa, onde pertenço
sou parte da mobília, já com pó.
Com as lágrimas desgasto o lenço,
fico sempre no mesmo lugar,
não posso rir, posso chorar
de mim ninguém tem dó.

O meu marido foi preso,
faz hoje 8 semanas e 4 dias
não tenho notícias dele
não sei o que lá lhe fazem,
quando comprou ao nosso mais novo
uma banda desenhada estrangeira 
comprou um bilhete só de ida,
e de uma ou outra maneira
não tivemos direito a despedida.

A minha irmã queria ser enfermeira,
entretanto arranjou um rapazito
mas tal como já lhe tinham dito
era preciso ser solteira.

A minha outra irmã viu também o marido
passar uma noite na prisão
por lhe ter dado um beijo num jardim
quando este regressou da guerra.
Sempre com o coração na mão
pensou que dessa é que era o fim.

Que tempo é este, em que vivo?
Deus, estou a perder a fé
Pátria, não pertenço a este país
Família, foi me tirada.
Tudo o que não quero, nem nunca quis,
é o que vivi e estou a viver
queria saber ser feliz
oh, lá vão esses dias…

Estado Novo,
já não é novo, já dura tempo a mais.
Ditadura, quando é que cais?

Tantos lutaram, nas colónias e mesmo cá, 
país dos cofres cheios e dos bolsos vazio
tantos sofreram, tantos morreram
tantos foram, e não regressaram
tantas bocas caladas à força
tantos olhos tapados
e ouvidos surdos
tanta falta de liberdade
tantos jornais mudos.
Só crescia a vontade
de uma mudança de regime.

Agradeço aos capitães
que nos libertaram deste jogo político
do qual éramos reféns.

Semearam cravos
colheram liberdade 
enterraram a censura
e mudaram a sociedade.



A Mariana Rei, convidada para apresentar a atividade no Cineteatro, continuou, exemplarmente.


.  
«Estamos aqui para celebrar Abril, o 25 de abril, a revolução que nos trouxe de volta a democracia.
O capitão Salgueiro Maia, o rosto da Revolução que simboliza o triunfo da liberdade sobre a ditadura está muito ligado a Tomar, cidade onde viveu parte da sua adolescência.

E da noite mais escura, uma flor se ergueu, raiada de luz, prenhe de toda a esperança.
Tão longa a espera.
E da longa espessura da noite, quase 50 anos, a aurora radiosa para um mundo novo. Para um Portugal livre.

Santarém. Madrugada de 25 de abril de 1974.

Chegou a hora. Não é possível esperar mais.
No quartel, os camuflados são vestidos à pressa e o Capitão passa a mensagem de boca em boca “Camaradas, que ninguém esmoreça. A vitória é nossa, antes que anoiteça!”
Sobre o último casario da cidade e sobre a cabeça da coluna que se dirige para Lisboa, um bando de corvos grasnava com vigor. O jovem Capitão, de nome Salgueiro Maia, não se deixou impressionar com as aves de mau agoiro e comentou com o seu ajudante:
- Há um mês não deu certo. É agora!
O jovem capitão referia-se à última tentativa dos militares para derrubarem a ditadura do Estado Novo, que começara no quartel das Caldas da Rainha, em 16 de março de 1974. A tentativa fracassou e os oficiais foram presos.

Nós sabemos. Todos nós sabemos: não há nada de mais sagrado que a LIBERDADE».


major-general Adelino Coelho (ao centro) e o coronel Luís de Albuquerque (à direita)
 
Depois, apresentou os dois convidados: o major-general Adelino de Matos Coelho e o coronel Luís Paulo Correia Sodré de Albuquerque.

O primeiro palestrante foi um dos corajosos oficiais do Golpe das Caldas da Rainha. Oficial-general com um vastíssimo currículo, era tenente no quartel das Caldas da Rainha, quando integrou a última tentativa para derrubar a ditadura. Como afirmou, o golpe não foi tão bem preparado quanto seria desejável e acabou por fracassar – como haviam fracassado mais de uma dezena de tentativas - tendo os oficiais sido presos e libertados só após o 25 de Abril. Enquadrou o seu testemunho entre o golpe das Caldas e o curto espaço de tempo que medeia até à Revolução, bem como da situação insolúvel da guerra colonial em Angola, Moçambique e na Guiné. Como referiu, a longa guerra colonial que começara em 1961 pela recusa do Estado Novo em conceder a independência às colónias africanas, acabou por criar um grande descontentamento entre os militares (pela guerra, em si, e também, pela ultrapassagem dos oficiais formados na Academia Militar por outros que não tinham tido essa formação, criando injustiças na ascensão da carreia) e na sociedade portuguesa. Falou, igualmente, das dificuldades organizativas do golpe e da vigilância sempre muito apertada da PIDE, a polícia política do Estado Novo, bem como dos ensinamentos retirados do fracassado Golpe das Caldas para não serem repetidos no 25 de Abril. Otelo Saraiva de Carvalho, um dos estrategas do 25 de Abril, esteve na organização do Golpe das Caldas. Felizmente, não foi preso. Aprendeu com os erros e pôde preparar com eficácia a Revolução triunfante.

A importância do 16 de março para o 25 de abril

Entre o fim da primeira palestra e a segunda, os professores Júlia Quadros, José Morgado, Isabel Gamelas e Isabel Carvalho cantaram “Trova do vento que passa”, de Manuel Alegre e António Portugal, gravada em 1963 e popularizada por Adriano Correia de Oliveira.

Júlia Quadros, Isabel Gamelas, Isabel Carvalho e José Morgado

O segundo convidado, o coronel Luís Paulo Correia Sodré de Albuquerque começou por contar como viveu o 25 de Abril. Era um adolescente de onze anos e não foi à escola porque, na cidade onde vivia, o Porto, os militares tinham tomado conta das ruas e se vivia um dia muito diferente de todos os outros. Ele, a família e as pessoas, em geral, seguiam o desenrolar da Revolução através da rádio e da RTP (a preto e branco). Salientou o papel do capitão Salgueiro Maia, de Otelo Saraiva de Carvalho no sucesso do 25 de Abril, dos momentos de tensão e de quase confronto entre militares a favor e contra o fim da ditadura. Por fim, abordou o período de grande instabilidade que sucedeu ao 25 de Abril, até à vitoria definitiva da democracia em Portugal, consagrada na Constituição de 1976.

 Coronel Luís Paulo Correia Sodré de Albuquerque

Ao mesmo que o coronel Luís de Albuquerque apresentava a sua comunicação, a Anaís Fernandes, aluna de Artes, do 11.º F, pintava o retrato do celebrado cantautor Zeca Afonso, criador de “Grândola, Vila Morena”, canção-símbolo da Revolução do 25 de Abril de 1974.

Anaís Fernandes a pintar "ao vivo"


E mais palavras, lidas pela voz bem calibrada da Mariana Rei.

«Das profundas mudanças que o 25 de Abril trouxe à sociedade portuguesa, uma das mais notáveis foi a igualdade de direitos para as mulheres. Até aí, numa sociedade conservadora e machista – e com um estatuto de subalternidade relativamente aos homens – as portuguesas passam a afirmar-se e a poder ocupar todas as profissões e papéis sociais.

A terceira convidada, a piloto Lígia Albuquerque, um dos espelhos dessa mudança, infelizmente, por motivos de saúde, não pôde estar presente. Nascida e criada no Porto, tem mais de duas décadas a competir nas várias modalidades do automobilismo: campeonatos de velocidade, ralis e todo-o-terreno. Tem ainda a melhor classificação nacional no campeonato WRC (senhoras).»



Em solidariedade para com a intrépida piloto, foi apresentada a sua nota biográfica e um breve testemunho, em vídeo, elaborado pela Mariana Rei.

A celebração continuou com mais uma notável intervenção musical, a cargo de alguns alunos da Prata da Casa: Anaís Fernandes, Francisca Porto, David Miño, Carolina Freitas, Joana Pereira, Pedro Marques e dos professores José Morgado, Júlia Quadros, Isabel Carvalho e Isabel Gamelas.

A "Prata de Casa"

Numa breve intervenção, antes de se juntar aos restantes cantores, a Anais Fernandes explicou o contexto e o significado do retrato que pintou de Zeca Afonso, com a técnica de acrílico sobre tela. E diga-se sem rodeios, com grande mestria.

Num misto de recato na comunicação e de orgulho em Zeca Afonso, a Anaís falou da estória que está por detrás do retrato do cantautor. Zeca Afonso estava no exílio em Paris, França, e preparava-se para participar numa manifestação que exigia o fim da ditadura em Portugal.

A história deste retrato por Anaís Fernandes

Foram feitas resmas de cópias de cartazes com este retrato, para serem utilizados nessa manifestação. Entretanto, dá-se a Revolução do 25 de Abril e Zeca Afonso regressa a Portugal o mais rápido que pôde. Por essa razão, o seu retrato deixou de ter, felizmente, a função a que se destinara. A democracia e a liberdade haviam triunfado no nosso país.

Alunos e professores a cantar abril

Após os belíssimos momentos musicais, e dos prolongados e mais do que merecidos aplausos, foi apresentado um vídeo, com o testemunho de alguns alunos do 4.º ano que frequentaram o Clube UBUNTU. No registo efetuado, expressaram com clareza e espontaneidade o que pensam sobre “ditadura” e “liberdade”.

O cartaz do 25 de abril feito pelos alunos

A Diretora do Agrupamento, professora Celeste Sousa, valorizou a atividade e saudou os seus promotores, os objetivos a que se propuseram, centrados no humanismo, na cidadania e na apologia dos valores democráticos. Agradeceu, também, aos ilustres convidados e aos alunos, que acolheram com entusiasmo a celebração coletiva.

Celeste Sousa no uso da palavra

Por sua vez, a professora Angelina Oliveira, em nome do Projeto +Humanidades, agradeceu a todos os intervenientes: Um Gesto de Afirmação (dança; declamação de poema e apresentação da atividade, na pessoa da Mariana Rei); Arte+ (cartaz e programa); convidados (major-general Adelino de Matos Coelho e coronel Luís Sodré de Albuquerque); professor José Paulo Vasconcelos (fotografia); Clube UBUNTU (registo vídeo); Prata da Casa (coletivo de alunos e professores: Anaís Fernandes, Francisca Porto, David Miño, Carolina Freitas, Joana Pereira, Pedro Marques e dos professores José Morgado, Júlia Quadros, Isabel Carvalho e Isabel Gamelas); a professora Lisete Lapa e os alunos do Curso Profissional de Multimédia (gravação vídeo); Fernando Paulo (técnico de som), aos alunos e professores acompanhantes, que contribuíram generosamente para o êxito da iniciativa, simultaneamente tão rica, tão plural e, por isso mesmo, tão gratificante.


A terminar a atividade, um momento-surpresa com os alunos do 6.º C, a cantar “Grândola, Vila Morena”, a capella, com o público a acompanhar. Em uníssono.

Unidos pela voz

José Sobral



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25 de Abril




quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Parlamento dos Jovens - Ensino básico e Ensino secundário

O Agrupamento de Escolas Nuno de Santa Maria, como tem acontecido em anos letivos anteriores, abraçou, desde a primeira hora, o Programa Parlamento dos Jovens.

É uma iniciativa da Assembleia da República, de grande envergadura, criada em 2006, e dirigida aos alunos dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário. O público-alvo são as escolas do ensino público, particular e cooperativo de Portugal continental, das Regiões Autónomas e dos círculos da Europa e de Fora da Europa.




Fazem parte do Programa os seguintes objetivos: educar para a cidadania, estimulando o gosto pela participação cívica e política; promover o debate democrático, o respeito pela diversidade de opiniões e pelas regras de formação das decisões; incentivar a reflexão e o debate sobre um tema, definido anualmente; estimular as capacidades de expressão e argumentação na defesa das ideias, com respeito pelos valores da tolerância e da formação da vontade da maioria; sublinhar a importância da sua contribuição para a resolução de questões que afetem o seu presente e o futuro individual e coletivo, fazendo ouvir as suas propostas junto dos órgãos do poder político.


O Programa, é estruturado em três fases (1.ª Fase: Sessão Escolar; 2.ª Fase: Sessão Distrital/Regional e 3.ª Fase: Sessão Nacional), desenvolvidas ao longo do ano letivo. O Programa completa-se com a realização de duas Sessões Nacionais, na Assembleia da República: uma destinada aos alunos dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e uma destinada aos alunos do ensino secundário.


Até ao presente, no Agrupamento, foram realizadas as várias etapas que constituem a 1.ª FASE: Sessão Escolar. É nesta fase que se leva a informação às turmas e, desse modo, se inicia a motivação das  mesmas - com o acompanhamento e a dinamização dos vários professores responsáveis pela atividade - para todo o processo, que é muito exigente, dada a amplitude de objetivos e o espaço temporal em que se desenvolve, se debate o tema proposto (este ano sujeito ao tema: Saúde mental: Que desafios? Que respostas?)   e se organiza o processo eleitoral, onde se inclui a formação de listas candidatas à eleição de deputados, a campanha eleitoral propriamente dita e o subsequente processo eleitoral, que culmina na eleição dos deputados à Sessão Escolar.


Uma das etapas da 1.ª fase é a vinda de um deputado da Assembleia da República à escola, o que aconteceu no dia 19 de dezembro. Nesse contexto, no Anfiteatro da ESSMO, teve lugar uma palestra com a presença do deputado da Assembleia da República pelo círculo eleitoral de Santarém, Hugo Costa, eleito pelo partido socialista e natural das Cabeças. A sessão, destinada aos elementos das listas do ensino básico e do ensino secundário, contou, também, com a preciosa colaboração da Enfermeira Rute Galvão.


O deputado Hugo Costa elogiou os muitos jovens presentes, pela muito ampla participação na sessão deste ano letivo do Parlamento dos Jovens e, seguidamente, apresentou como se estruturam os poderes em Portugal, bem como a orgânica de funcionamento da Assembleia da República. Depois, respondeu às questões que os alunos lhe foram colocando, com o natural entusiasmo e ímpeto juvenil, onde nada fica por dizer. “Silenciadas foram as nossas bisavós e avós”, afirmava, há dias, num corredor da Escola, uma jovem cidadã. Em suma, esta iniciativa é um mais um momento decisivo na construção do pensamento racional dos jovens, na apresentação clara e consistente daquilo que consideram a ordem justa das coisas, de modo a tentarem soluções capazes de limar as muitas imperfeições que ainda fragilizam o quotidiano da comunidade.


Por sua vez, a Enfermeira Rute Galvão, especialista na área da Saúde Mental da Lezíria e Médio Tejo, falou da sua experiência de 20 anos de serviço nesta área da Saúde Pública: o que foi feito, os tabus e preconceitos que, aos poucos, se foram esboroando; o que é necessário continuar a fazer no domínio da prevenção e das terapias, bem como forneceu informações preciosas sobre como os jovens podem ter os apoios que já existem nesta área específica, aventando, também, possibilidades de medidas a serem propostas pelas diferentes listas. Muito disponível, conhecedora e entusiasta na comunicação, não deixou nenhuma questão por responder.

Este ano, os alunos do ensino básico, do 9.º ano, formaram quatro listas – o que constitui um recorde de participação. Os jovens do ensino secundário organizaram-se em duas.

Na tarde do dia 6 de janeiro, final da semana que antecedeu a campanha eleitoral, no Polivalente da ESSMO, todas as listas brilharam na apresentação das medidas que acreditam podem contribuir para ajudar a ultrapassar uma questão muito séria da saúde pública em Portugal, nomeadamente entre os jovens: a saúde mental – que desafios? Que respostas?


.Nos dias 9 e 10 de janeiro, teve lugar a campanha eleitoral, num ambiente plural e festivo; no dia 9, a das listas do ensino básico (na ESSMO, para o 9.º ano e na EDNAP, direcionada para as turmas do 7.º e do 8.º ano). No dia 10, decorreu a campanha eleitoral das listas do ensino secundário.


No dia 12 de janeiro, na ESSMO e na EDNAP, teve lugar a eleição dos deputados para a Sessão Escolar, tendo sido eleitos 31 deputados das listas do ensino básico e 15, do ensino secundário. A taxa de participação dos alunos do 7.º ao 12.º ano no ato eleitoral foi muito boa.


A Sessão Escolar realizou-se no dia 19. Num ambiente muito vivo e convicto, os jovens deputados discutiram as várias propostas de medidas apresentadas pelas listas. Depois, foram aprovadas as três medidas que constam do Projeto de Recomendação do Agrupamento, tendo sido eleitos os representantes, titulares e suplentes, à Sessão Distrital, num total de quatro elementos. O mesmo processo foi mimetizado pelas listas do ensino secundário. Foram, também, eleitos os deputados, candidatos a Presidente da Mesa da Sessão Distrital; um por cada nível de ensino.

Este ano, a Sessão Distrital será realizada em Santarém, no próximo mês de março: no dia 13, para os alunos do ensino básico, no Teatro Sá da Bandeira; no dia 14, para os alunos do ensino secundário, em local a definir.


Os deputados titulares do ensino básico são as alunas Inês Roque e Ana Novaes; as suplentes, Margarida Nunes e Matilde Silva. O deputado candidato a Presidente da Mesa da Sessão Distrital é o aluno Francisco Macedo.


Os deputados titulares do ensino secundário são as alunas Margarida Vieira e Mariana Rei; a suplente, Eva Furtado. A deputada candidata à mesa da Sessão Distrital é a aluna Joana Valada.



Em jeito de conclusão, os professores Judite Calado, José Sobral, Paulo Mendes, Isabel Conceição e Isabel Carvalho que, em colaboração estreita e continuada com os alunos, dinamizaram as diferentes etapas desta 1.ª Fase e os acompanharam no processo, criando-lhe as circunstâncias propiciadoras para o seu envolvimento, para o bom decorrer da formação das listas,  da exposição e do  confronto de opiniões, da conversação e do debate, expressam o seu contentamento pela forte adesão e dinâmica, pelo entusiasmo e o investimento efetuado pelas dezenas de alunos que participaram nesta atividade cívica, simultaneamente tão desafiante e tão exigente.








segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Dia Internacional dos Direitos Humanos

Há uma porta que se abre, uma outra que se fecha. Tem sido assim, ao longo dos milénios, na longa, sobressaltada e gloriosa, tantas vezes, caminhada da Humanidade.

Os filósofos iluministas faziam contrastar as trevas (a ignorância) à luz (ao conhecimento). De certa maneira, a metáfora da porta fechada versus a porta que se abre. E, só pelo conhecimento, reafirmavam, através da escola, educação, se alcançaria o progresso, na libertação das amarras que as trevas impunham à maioria silenciosa do Antigo Regime, fazendo acordar a população do seu secular entorpecimento face aos poderes instituídos.

“O mundo pula e avança, como bola colorida nas mãos de uma criança”, como escreveu o admirável poeta António Gedeão e, em Portugal, felizmente, vivemos em democracia há quase 50 anos. Mais precisamente, 48. Os mesmos 48 que Portugal viveu na “longa noite” da ditadura: primeiro, a militar; depois, a do Estado Novo.

Como acontece todos os anos, o Dia Internacional dos Direitos Humanos, pelo seu fortíssimo significado e projeção no âmbito da cidadania, é celebrado no Agrupamento de Escolas Nuno de Santa Maria. Este ano, o projeto +Humanidade, do Departamento de Ciências Sociais e Humanas lançou o desafio à comunidade escolar e as portas das salas de aula de todas as escolas do Agrupamento foram decoradas pelas turmas que as usam como local de aprendizagem, com os valores inscritos na Declaração Universal dos Direitos do Homem, acompanhados pelo colorido da sua vasta sensibilidade, imaginação e criatividade. A Direção, os Serviços Administrativos, os Assistentes Operacionais associaram-se à concretização da atividade e também decoraram as suas portas. Em boa verdade, a motivação, o entusiasmo, a empatia, a clara consciência dos princípios humanistas por parte dos jovens estudantes resultou numa profusão de trabalhos de grande qualidade, como mostram as belíssimas fotografias captadas pela lente mágica da Marina Sousa, aluna do Curso de Técnico de Multimédia, colaboradora permanente do GIMAC.

No dia 15, ainda no quadro da celebração da efeméride - e neste particular, com a parceria da Câmara Municipal de Tomar, na pessoa da Dra. Patrícia Romão, Dr. André Camponês e Dr. João Coelho; com a Ordem dos Advogados (Secção de Tomar), na pessoa da Dra. Sílvia Serraventoso e do antigo operário fabril, senhor Feliciano Nunes, realizaram-se palestras sobre o Trabalho Infantil. Estas tiveram lugar na antiga Moagem de Tomar e na Fundição Tomarense e foram direcionadas para os alunos do 6.º ano da EDNAP, no período da manhã, e para as turmas do 9.º ano, da ESSMO, durante a tarde.

Na antiga Moagem, um lugar único no riquíssimo património da cidade, sumamente bem preservado, os alunos puderam conhecer, a partir das palavras da Professora Angelina Oliveira, da Dra. Patrícia e da Dra. Sílvia - e dos documentários que foram mostrados, a duríssima realidade do trabalho infantil. Em Portugal, a legislação entretanto criada aboliu essa prática ancestral, direcionando os jovens para a frequência da vida escolar, vivências que os vão empoderar para uma vida menos desafortunada que as gerações anteriores. No entanto, em vários continentes (África, Ásia e América Latina), o trabalho infantil abarca mais de 168 milhões de crianças e jovens, negando-lhes os direitos fundamentais.

Na Fundição Tomarense, o senhor Feliciano Nunes, o último operário que lá trabalhou, começou por afirmar que era um dia muito especial para si, pelo público que tinha à sua frente, pelas memórias que aquele espaço lhe trazia. Via-se claramente no rosto tisnado que a emoção era genuína, quando um misto de emoções lhe tolhiam as palavras. Começara a trabalhar naquela unidade fabril quando tinha 14 anos (hoje, seria crime), a idade da maioria dos jovens que tinha à sua frente. Ganhava seis escudos, o equivalente a 3 cêntimos de euro, numa jornada de oito a nove horas por dia, com descanso ao domingo. Relatou episódios da vida demasiado dura para um adolescente desse tempo, impensável para um adolescente dos tempos em que vivemos. No final da sua comunicação, deu o maior destaque à escola e o que a frequência da mesma significa, não deixando de convidar os rapazes mais afoitos a pegar, e a movimentar, o martelo de ferro que era utilizado nos trabalhos da metalurgia. Os que se julgavam Hércules, fraquejaram com o peso da ferramenta.

A Professora Angelina Oliveira e o Professor Paulo Mendes, coordenadores do Projeto + HUMANIDADE, encerraram a atividade, agradecendo a todos aqueles e aquelas que tornaram possível uma atividade tão proveitosa e tão enriquecedora no âmbito da cidadania.



Nota: Agregadas a esta notícia sobre as atividades desenvolvidas no âmbito dos Direitos Humanos, segue uma pequeníssima amostra de fotografias/imagens. As restantes, bem como a gravação vídeo, cuja edição está a ser ultimada, serão publicadas oportunamente.
prof. José Sobral