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quinta-feira, 12 de março de 2026

«E em vez do medo»

Exposição

O medo é uma entidade (emoção natural e instintiva) tão antiga como a Humanidade e um hóspede sedentário na casa da criação. Entra pela sala dentro sem bater à porta, apodera-se do pensamento e perscruta, em silêncio, quem ousa inventar e reinventar o mundo. É uma presença acéfala e ambígua, como uma sombra que acompanha o artista quando a imaginação, primeiro, e depois, a obra começam a crescer, a tomar forma. Criar é mostrar-se. É pôr de lado as máscaras do silêncio e permitir que o interior de cada um e de cada uma se torne visível, expondo a identidade e a essência, o mundo mais profundo e íntimo de cada ser.


 

O artista sabe que a obra não é apenas o resultado de um exercício técnico – é uma revelação. Quem cria aprende, pouco a pouco, que não é necessário expulsar o medo. É preciso atravessá-lo. Abracemos, pois, as palavras sábias de Marta Bernardes “...não buscamos negar o medo, mas transfigurá-lo”. E essa peregrinação comporta hesitações, dúvidas e avanços, ora tímidos ora impetuosos. O medo impede a repetição, o minimalismo. E lembra ao artista que o ato de criar é sempre um risco. Possibilita a aceitação plena e a rejeição.


O medo empurra cada artista para caminhos e territórios onde ainda não esteve e obriga-o a experimentar, a errar, a recomeçar. A destruir e a reconstruir. Ele nunca desaparece completamente. Surge sempre que um novo projeto começa, sempre que uma ideia solicita forma, uma estrutura. Mas já não é um visitante ameaçador. É quase um companheiro de viagem, lembrando ao artista que cada criação importante nasce na fronteira entre o conhecido e o desconhecido. Em suma, o medo é retração e catapulta.


Neste contexto, e tendo o medo por companheiro no processo criativo, a turma C, do 12.º ano, foi a protagonista de uma atividade pluridisciplinar, realizada no Polivalente da ESSMO, no dia 4 de março, em que associou trabalhos realizados nas disciplinas de Desenho, Oficina de Artes e Português. Na disciplina de Desenho, foram tratadas duas unidades de trabalho: a primeira, o “cadavre exqui” e, na segunda, o movimento, o ritmo e o tempo no Desenho. Em Oficina de Artes, a contenção e a tridimensionalidade, com a realização de múltiplas esculturas em barro, espelhando os medos que cada aluno considerou por bem abordar. Na disciplina de Português, foi feita a redação de textos alusivos ao medo e ainda a apresentação de performances de poemas de autores portugueses, selecionados pelos alunos.


 

A atividade realizada integra a 2.ª Bienal Cultura e Educação, do Plano Nacional das Artes, cujo tema é “E em Vez do Medo?”.

José Manuel Sobral


O medo no pensamento e nas obras executadas pelos alunos.

“Voa para onde te sintas mais seguro”

“Pode haver muitas razões que nos fazem sentir medo, a minha escultura representa o que nós podemos fazer quando sentimos medo, apanhar um voo e “voar” para longe dele, para qualquer sítio que nos faça sentir seguros. (...) E em vez do medo, escolhi estar onde me sinto mais livre.
Tomás Kay

Esperançoso



“O medo é aquela sensação que surge quando somos impedidos de cumprir algo. Ao esculpir um trevo de quatro folhas em cada olho, pretendi transmitir que a esperança e o sonho têm o poder de encorajar. E em vez do medo, escolhi a esperança, a vontade, o sonho.”

Maria Beatriz Almeida

As expressões do riso



“Medo, sensação de desconforto, receio perante algo (...) Os sorrisos, as gargalhadas, o choro de tanto rir, um mostrar de dentes e uma boca aberta fazem parte do meu dia a dia e utilizo-os como ferramenta para enfrentar as inquietações. (...) Espero que cada espetador encontre, no meu busto, um refúgio e uma forma diferente de interpretar a sua inquietação. E em vez do medo, escolhi o riso.

Duarte Xavier

Coragem

O medo é um sentimento que nos impede de sair da nossa zona de conforto (...) No momento de superação é necessário usar métodos como o rir ou olhar para as pessoas próximas e ter a coragem de enfrentar as situações. Esta figura com vários olhos a olhar em diversas direções, representa os olhares das pessoas que nos julgam (...). E em vez do medo, escolhi a coragem.
Leonor Benedito

Confronto



O busto apresenta um aspeto diabólico, os chifres têm como significado a proteção, os olhos arregalados expressam todas as vezes que enfrentamos o medo. E em vez do medo, escolhi o confronto.

Inês Ventura

Coragem

O medo... uma emoção extremamente complexa e desafiante, muitas vezes, associada a algo que não conseguimos ultrapassar (...) a coragem por detrás de um olhar semicerrado, persistente e focado, a vitória que só a coragem lhe proporciona. E em vez do medo, escolhi a coragem.

Verónica Bernardo

Sentimento




(...) o medo, este sentimento que sufoca, que nos atormenta e apavora, o que vem depois dele? A esperança de ultrapassar e conquistar os medos. E em vez do medo, escolhi a esperança.


Carolina Calado






Medo, sensação de impotência,
Vulnerabilidade,
Falta de capacidade de desvalorizar
Ou enfrentar aquele obstáculo.
Ousar duvidar da hipótese de ultrapassar...
E deixar-se gradualmente consumir,
Optando por fingir
E existir uma serenidade que não existe,
Uma tranquilidade que persiste
Numa mente que te mente
E que se torna impotente.
E para além do medo?
Para além desse sufoco silencioso e poderoso,
A coragem avança, trémula, mas serena.
Desafiando o medo de forma plena,
Sem certezas ou segurança,
Mas mantendo a esperança,
Prossegue e avança,
Lutando pela mudança.
E no momento em que o medo cai
E descobre que perdeu,
A coragem sobressai,
Revelando que venceu.
Verónica Bernardo

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

NATAL NA ESSMO

A decoração de Natal da Escola Secundária Santa Maria do Olival foi desenvolvida pelos alunos do 12.º C na disciplina de Oficina de Artes


Ao longo do processo, os alunos passaram por várias etapas: pesquisa, planeamento, experimentação e execução, aprendendo a transformar ideias em soluções visuais concretas.

O projeto permitiu trabalhar a criatividade, a organização e a colaboração, resultando numa decoração final que representa o empenho e a participação de todos.


↓ Mais fotos nesta pasta: ↓
AENSM




sexta-feira, 23 de maio de 2025

Celebrar Abril

“Abril, águas mil”.


Na sua ligação umbilical à Mãe-Natureza, o provérbio ergueu-se. Este ano, cumpriu-se o aforismo. E a Mãe-Natureza curva-se, grata. A Primavera é metamorfose. A Revolução dos Cravos virou do avesso um país anacrónico, tardiamente imperialista, conservador e machista, e projetou-o para a modernidade, sendo lento a expurgar moléstias ancestrais.


O Agrupamento de Escolas Nuno de Santa Maria, o Projeto + Humanidade (do Departamento de Ciências Sociais e Humanas), o Projeto Artes + (do Departamento de Expressões), a Biblioteca Escolar, alunos e professores, de há anos para cá, conjugam-se no sentido de dar a maior importância à valorização dos direitos fundamentais que Abril fez germinar, à liberdade e à democracia. Fazem-no há anos. Ainda em tempos em que mal se vislumbravam, no horizonte, movimentos e líderes populistas e demagógicos, que torpedeiam valores fundamentais, conquistados com sangue, suar e lágrimas.

Na celebração deste acontecimento tão marcante da nossa história recente, no âmbito da cidadania e da valorização de regime democrático, foram realizadas as seguintes atividades:

  • Visita de estudo ao Museu Nacional da Resistência e Liberdade (Forte de Peniche, prisão política do Estado Novo, durante décadas, onde 1661 opositores da ditadura salazarista passaram uma parte das suas vidas…um deles, vinte e um anos), para as turmas do 9.º ano de escolaridade;

  • Exposição de cartazes, elaborados pelo 12.º A, na aplicação canva, em grande formato, no Polivalente, com o título “Ousaram: Não Temeram, Não Tremeram”, homenagem a um conjunto de 25 mulheres, opositoras ao Estado Novo e às quase duas mil que foram presas, impiedosamente torturadas e, algumas, mortas pela PIDE e pela GNR, durante os quarenta e oito anos de ditadura em Portugal, a mais longa da Europa;


  • Exposição de desenhos, elaborados pelo 12.º ano, Turma C, nas disciplinas de Desenho A e Artes Visuais, de cunho neorrealista, inspirados na obra pictórica do dirigente político e opositor ao Estado Novo, Álvaro Cunhal, no Polivalente da ESSMO. A turma utilizou elementos morfológicos da imagem, bem como elementos estruturantes da linguagem plástica. Selecionou como modos de registo: traço, mancha e técnica mista, evidenciando um crescente domínio técnico e intencionalidade expressiva nos trabalhos que realiza. Em paralelo, manifestou um progressivo domínio na aplicação dos conceitos e dos elementos estruturais da linguagem plástica: forma (plano, superfície, textura, estrutura); cor/luz; espaço e volume (profundidade e sugestão da tridimensionalidade); movimento e tempo, escala, ritmo, equilíbrio e estrutura, entre outros; aplicando-os na elaboração de desenhos e de imagens expostas.

  • Visita de estudo ao Museu do Neorrealismo (Vila Franca de Xira) e ao Museu Nacional da Resistência e da Liberdade (Peniche), para as turmas A e B, do 12.º ano, de História A.
  • Exposição, na Biblioteca da ESSMO, de poemas e livros e frases associados à efeméride.
  • Palestra, na Biblioteca Municipal, sob o lema “25 de Abril - Um Tempo Novo para as Mulheres”, com a Bastonária da Ordem dos Advogados, Dr.ª Fernanda de Almeida Pinheiro; a Representante da Ordem na Região Centro, Dr.ª Teresa Letras e a Representante concelhia da Ordem, Dr.ª Fátima Duro. A atividade foi dirigida às turmas do 12.º ano e às turmas A e D, do 9.º ano.




Nota: Esta palestra estava agendada para o dia 29 de abril. O “apagão”, ocorrido no dia anterior, impossibilitou a sua realização na data prevista. As palestrantes, apesar da sua carregada agenda de trabalho, fizeram questão em vir na semana seguinte, a 6 de maio.

A palestra foi presidida pela Diretora do Agrupamento, Dr.ª Celeste de Sousa, que realçou a importância do evento e o seu amplo significado no âmbito do conhecimento e da cidadania. Terminou com um agradecimento às palestrantes, que vieram de longe para partilharem o seu conhecimento e testemunho.

Seguidamente, a Dr.ª Angelina Oliveira, em nome do Projeto + Humanidade, referiu que “na longa travessia do tempo pelos nossos antepassados, a Humanidade e a desumanidade caminharam lado a lado. A parte solar dos nossos antepassados criou a Arte, a Filosofia, a Matemática, o Teatro, a Escola, a Música, os Jogos Olímpicos …. Aristóteles, Marco Aurélio, Bento de Núrsia, os irmãos Limburg, Leonardo da Vinci, Copérnico, Galileu, mas, também, a escravatura, o imperialismo e a brutalidade que lhe são associadas; a Inquisição e as suas desumanas e impiedosas perseguições; a intolerância religiosa e política; a secular submissão da mulher ao homem; os conflitos e guerras em que a Europa se destaca sobremaneira…”.



Mais adiantou que “O propósito do PROJETO + HUMANIDADE não é falar do passado. O principal objetivo é preparar atividades para a comunidade educativa que façam refletir, pensar e ter opinião, baseada no conhecimento, sobre muitos problemas que vêm do passado e permanecem na sociedade e nos tempos em que vivemos.

Este ano juntamos a comemoração do Dia da Mulher com o 25 de Abril. Demos a esta atividade o nome “25 de Abril – Um mundo novo para as mulheres”. Com a Revolução, a sociedade portuguesa passou por uma profunda transformação e, nunca mais, voltaria a ser a mesma. A “maioria silenciosa”, finalmente, conquistou os direitos fundamentais”.


Depois, deu a palavra à aluna Francisca Marques, do 5.º ano, turma C, da EDNAP, que começou a apresentação da palestra e dos motivos para a sua realização.

“Antes do 25 de Abril havia um país que não era igual para mulheres e homens. Eles mandavam, elas obedeciam. Tinham direitos e vidas tão controladas que nem sequer podiam exercer as profissões que queriam. Quando chegou a liberdade, chegou a promessa da igualdade.

As mulheres ganharam voz e o domínio masculino ficou fortemente abalado. O 25 de abril de 1974 trouxe promessas de igualdade de género. As mulheres passaram a ser livres para fazer as suas escolhas e desafiaram as regras. Tornaram-se governantes, juízas, começaram a conduzir camiões e a trabalhar nas obras. Passaram a estar em maioria na universidade e a contar com direitos sexuais e reprodutivos que lhes deram o poder de decidir as suas vidas. Mas, 50 anos depois da Revolução, a paridade ainda é uma realidade distante. As mulheres continuam a ganhar menos do que os homens pelo mesmo trabalho, estão menos representadas no Parlamento e na administração de grandes empresas e também em profissões ligadas à ciência e à tecnologia. Trabalham mais horas, principalmente nas tarefas domésticas e de prestação de cuidados à família e, são vítimas de violência doméstica….

Apesar das muitas conquistas alcançadas, a luta no feminino continua…

Termino com o conceito de feminismo de Emma Watson: Embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres:

“O feminismo é “a crença de que homens e mulheres devem ter direitos e oportunidades iguais. É a teoria da igualdade dos sexos nos planos político, económico e social. Esses direitos iguais, considero, como sendo direitos humanos”.

Logo após as palavras de Leonor Lopes e de Maria Clara Segorbe, alunas do 12.º A, na apresentação das palestrantes convidadas.


 

“Apesar de subalternizadas, pontapeadas e humilhadas, muitas portuguesas ousaram. Não temeram. Não tremeram. Ao longo dos 48 anos de ditadura. É o que mostrámos, e homenageámos, na exposição que lhes dedicámos, patente no Polivalente da ESSMO.

Durante os 48 anos de ditadura, a mais longa da Europa, a mulher portuguesa não se queria inteligente. Apenas, obediente.

Era isso que o Estado Novo exigia e a comunidade masculina queria. O 25 de abril de 1974 acabou com essa dupla opressão: a política e a social/familiar.

É por isso que estamos aqui, hoje. Para comemorar e lembrar o 25 de Abril e o mundo novo que a Revolução dos Cravos trouxe às mulheres portuguesas, tão bem ilustrada no cartaz “A poesia está na rua”, da pintora Maria Helena Vieira da Silva, exilada em Paris, por ser uma opositora da ditadura.

Estamos aqui para lembrar e homenagear as quase duas mil portuguesas que foram presas e torturadas nas prisões políticas da ditadura salazarista, pela PIDE; as que foram mortas e todas as nossas antepassadas que não puderam conhecer a alegria imensa que é viver em liberdade. E serem consideradas iguais.

As palestrantes, advogadas de profissão, que exercem cargos de grande responsabilidade na Ordem, a nível nacional, regional e concelhio, nas suas comunicações realçaram que a Revolução dos Cravos abriu caminho para a igualdade de género e para a emancipação feminina em diversas áreas.

Antes do 25 de Abril, as mulheres em Portugal viviam sob um regime que limitava severamente os seus direitos e as relegava para um papel secundário na sociedade.

No que diz respeito aos direitos políticos, não podiam votar em igualdade de condições com os homens. O sufrágio feminino foi introduzido gradualmente e com restrições, sendo apenas universal e sem restrições após o 25 de Abril de 1974.


Relativamente aos direitos civis, precisavam da autorização do marido para trabalhar, viajar para o estrangeiro, abrir contas bancárias ou praticar atos comerciais; não podiam exercer certas profissões, como a de juíza, diplomata, militar ou polícia; o divórcio era proibido, exceto em casos de adultério comprovado do marido; no casamento, eram consideradas legalmente inferiores ao marido, que era o "chefe de família".

No campo dois direitos laborais: ganhavam salários inferiores aos dos homens para o mesmo trabalho e enfrentavam discriminação no acesso ao emprego.

No direito da família: a autoridade parental era exercida predominantemente pelo pai e nos direitos sexuais e reprodutivos: a informação e o acesso a métodos contracetivos eram limitados e o aborto era ilegal.

Com a Revolução de Abril e a promulgação da Constituição de 1976, foram consagrados diversos direitos fundamentais que impactaram diretamente a vida das mulheres: igualdade perante a lei: O princípio da igualdade entre homens e mulheres foi estabelecido constitucionalmente, pondo fim a muitas das discriminações legais existentes; o direito ao voto: As mulheres passaram a ter o direito de votar e ser eleitas em todas as eleições, em igualdade de condições com os homens; acesso à educação e ao emprego: foram criadas condições para uma maior igualdade de oportunidades na educação e no mercado de trabalho, permitindo que as mulheres acedessem a profissões que antes lhes eram vedadas; as reformas introduzidas no Código Civil, em 1977 e anos seguintes, eliminaram a figura do "chefe de família", estabeleceram a igualdade entre os cônjuges na gestão familiar e no exercício da autoridade parental, e facilitaram o divórcio; direitos sexuais e reprodutivos: embora a legalização do aborto só tenha ocorrido mais tarde (em 2007, através de referendo), a Revolução dos Cravos abriu caminho para a discussão e a defesa dos direitos das mulheres nesta área, com avanços graduais no acesso à contraceção e à saúde sexual; combate à violência doméstica: a consciencialização sobre a violência contra as mulheres aumentou, levando à criação de legislação e de estruturas de apoio às vítimas.




Em suma, o 25 de Abril trouxe “um mundo para as mulheres”, pois representou um marco crucial na história dos direitos das mulheres em Portugal.

A Revolução desmantelou as estruturas legais e sociais que perpetuavam a desigualdade e abriu caminho para a conquista de uma cidadania plena e para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

No entanto, apesar dos progressos significativos, a luta pela igualdade de género continua a ser uma realidade em Portugal, com desafios persistentes em áreas como a disparidade salarial (no setor privado) e a representação política e em cargos de liderança.

Na parte final da palestra, os alunos colocaram algumas questões às ilustres palestrantes, criando momentos de interação gratificantes para as partes.

O Projeto + Humanidade, o Projeto Artes +, a Biblioteca Escolar e todos os alunos e professores envolvidos na preparação e execução das atividades proporcionadas à comunidade educativa agradecem o apoio firme e continuado da Direção do Agrupamento.


Um agradecimento, também, à professora Susana Viegas, do Departamento de Expressões, que deu toda a colaboração na formatação dos cartazes, idealizou a estrutura da exposição, colaborou na montagem da mesma e criou o logotipo que a anunciava.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

ROSTOS CAMONIANOS

Oficina de Artes – 12.º C


A exposição “Rostos Camonianos” visa comemorar os 500 anos do nascimento do poeta Luís de Camões, uma figura de extrema importância para a literatura portuguesa.

Cada busto não é apenas um rosto, é o reflexo da poesia camoniana, os rostos das figuras reais e fictícias que compõem Os Lusíadas, obra que tanto enriqueceu a nossa cultura portuguesa.




Na disciplina de Oficina de Artes, em articulação com as disciplinas de Português e Desenho, explorámos a conexão entre a expressão artística, a cultura e a história da nossa sociedade, bem como na forma como nos relacionamos e percecionamos a nossa realidade e identidade.

A nossa história, que pretendemos representar e homenagear com este projeto, mostra um conhecimento imprescindível, que devemos analisar, para que possamos viver em comunidade de forma harmoniosa.

Convidamos assim todos a explorar esta exposição, onde a expressão artística se entrelaça com a rica poesia camoniana, um marco na história da literatura portuguesa.


Vasco da Gama

A viagem de Vasco da Gama rumo ao Oriente é o tema principal d’Os Lusíadas, de Camões. Logo no canto I, no consílio dos deuses, decide-se o destino dos portugueses - a chegada à Índia. Com o apoio da deusa Vénus, e de Júpiter, a frota do Gama atingirá o seu objetivo.

Vasco da Gama

No final da epopeia, na Ilha do Amores - que funciona como prémio ou recompensa pela bravura dos portugueses - Vasco da Gama casa, simbolicamente, com a ninfa Tétis.


D. Pedro I

Esta personalidade, que nasceu a 8 de abril de 1320, em Coimbra, e veio a falecer em 18 de janeiro de 1367, em Estremoz, aparece no canto III, d’Os Lusíadas, bem como a sua amada, Inês de Castro.

Este canto fala de uma triste e trágica história de amor, em que a relação amorosa deles termina com a trágica execução de Inês de Castro.

D. Pedro I

 O Amor, somente ele, foi quem causou a morte de Inês, como se ela fosse uma inimiga.

D. Pedro I, rei de Portugal, apelidado de Justiceiro ou Cruel, ficou conhecido pela atenção dada à justiça e pelo amor por Inês de Castro que, depois de morta, foi rainha.


Inês de Castro

Inês de Castro Na grandiosa obra “Os Lusíadas”, de Luís de Camões, é narrada e descrita, de forma emocionante, a história de amor entre Inês de Castro e D. Pedro I. Esta história esteve repleta de ventura e tragédia, visto que estes amores não eram bem-vistos pela sociedade da época. O Patriotismo, terá sido o principal fator que contribuiu para a morte de Inês, pois, o povo, e sobretudo a nobreza, opunha-se à ascensão dos seus filhos como potenciais sucessores ao trono, devido às suas raízes espanholas que poderiam ameaçar a independência da nação.

D. Inês de Castro

D. Afonso IV, pai de D. Pedro I, acabou por ordenar o degolamento de Inês pelos “horríficos algozes”: Pêro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco, que também encontraram o seu fim pelas mãos de D. Pedro I.

Após o seu assassinato, Inês fora coroada Rainha de Portugal em 1361, no Mosteiro de Santa Clara, por ordem de seu amante, o rei D. Pedro I.

“Traziam-na os horríficos algozes
Ante o Rei, já movido a piedade;
Mas o povo com, falsas e ferozes
Razões, à sua morte crua o presuade.
Ela, com tristes e piedosas vozes,
Saídas só da mágoa e saūdade
Do seu Príncipe e filhos, que deixava,
Que mais que a própria morte a magoava”

Canto III, estância 124

Adamastor

N’Os Lusíadas, de Camões, o Adamastor é a personificação das superstições e dos medos que impediam os navegadores portugueses de dobrar o Cabo das Tormentas e de alcançar a passagem para a Índia.

Adamastor

Nesta epopeia, o Adamastor é caracterizado pelas suas dimensões gigantescas, pelo seu rosto carregado, pela barba esquálida, pelos olhos encovados, pelos cabelos desgrenhados, crespos e cheios de terra, pela boca negra e pelos dentes amarelos. Estes aspetos físicos contribuem para uma visão medonha deste gigante.

Apesar de todas as condições adversas provocadas pelo Adamastor, a tripulação de Vasco da Gama venceu o monstro, o que permitiu a alteração do nome do cabo para "Cabo Da Boa Esperança".

Este episódio demonstra bem a coragem, a força e a bravura do povo lusitano, o herói principal d'Os Lusíadas.


Tétis

Tétis é uma ninfa presente na obra “Os Lusíadas”, uma divindade marinha e imortal, que, simbolicamente, casou com Vasco da Gama (prémio).

Tétis

Os aspetos marítimos foram representados nesta escultura através da estrela-do-mar e a onda do mar no seu ombro. A sua divindade está expressa nos olhos fechados para lhe atribuir um ar sereno e elegante.


Bárbara, a Cativa

Este busto representa Bárbara, uma cativa por quem Camões se apaixonou numa viagem pela Índia aquando da expansão marítima.

Bárbara Escrava
 
Segundo as palavras de Camões, Bárbara tem feições singulares, doces e meigas apesar de cansadas devido, provavelmente, ao trabalho árduo que faz enquanto escrava. Contudo, o poeta descreve-a de forma a evidenciar a sua beleza (tez escura e olhos pretos) que, embora não obedecendo ao protótipo de mulher renascentista, é superior à beleza das flores ou das estrelas.

Apesar do seu nome – Bárbara, nome de escrava –, esta mulher por quem o poeta está “cativo” porque a ama, não se assemelha a uma escrava.


Cristóvão Colombo

Cristóvão Colombo (1451-1506) foi um navegador cuja nacionalidade ainda hoje é questionável – uns creem que seja genovês, outros espanhol e outros ainda português. Há quem diga que Camões se refere a ele, não de forma explícita, no canto X, d’Os Lusíadas, contudo essa alusão não parece crível.

Cristóvão Colombo

Sabe-se que foi comandante da frota espanhola que chegou às terras do “Novo Mundo”, em 12 de outubro de 1492. Acreditando ter alcançado as Índias pelo caminho do Ocidente, morreu sem saber que encontrara terras de um novo continente, na região da atual América Central.


Velho do Restelo

O Velho do Restelo é uma personagem introduzida por Luís de Camões, entre as estrofes 94 e 104, do canto IV, da sua obra Os Lusíadas. O Velho do Restelo é variamente interpretado como símbolo dos pessimistas, dos que não acreditavam no sucesso da epopeia dos Descobrimentos Portugueses, para o Oriente, e surge aquando da primeira expedição à Índia com avisos sobre a odisseia que estaria prestes a acontecer.

O Velho do Restelo

No episódio, narra-se a partida de Vasco da Gama aos mares (a saída do porto, ainda em Portugal). Um ancião (o Velho do Restelo) põe-se então a acusar as viagens e os ocupantes das naus, sob o argumento de que os temerários navegadores, movidos pela cobiça de fama, glória e riquezas, procuravam desastre para si mesmos e para o povo português.



Luís Vaz de Camões

Este busto em barro representa Luís de Camões, um dos maiores poetas da literatura portuguesa. Com uma expressão serena e profunda, o busto evoca a dignidade e a intensidade de um homem cuja obra imortalizou a história e as tradições do seu país.

Luís Vaz de Camões

Camões é retratado com a barba característica e o olhar contemplativo, refletindo a sua alma de artista e de pensador. A peça busca refletir não apenas a imagem física de Camões, mas também a sua grandeza literária – Os Lusíadas e as Rimas – e a herança que deixou para as futuras gerações.



Catarina de Ataíde Da Gama

Catarina de Ataíde da Gama, uma figura pouco conhecida, mas fundamental e indispensável, na vida de Vasco da Gama, e protagonista d’Os Lusíadas (como representante do povo português).

Catarina nasceu em 1470 (em Portimão, Faro) e faleceu em 1535. Ela casou-se com Vasco da Gama, 3.º Vice-Rei e 6.º Governador da Índia, aproximadamente em 1499 e tiveram 8 filhos e 2 filhas.

D. Catarina de Ataíde da Gama

Catarina de Ataíde era uma senhora muito devota e de rara beleza. Alguns historiadores indicam que ela foi a grande paixão da juventude de Luís de Camões, embora existissem outras senhoras com o mesmo nome na corte, naquela época.

O que se conhece é que houve uma Catarina de Ataíde a quem Camões dedicou vários poemas, embora com o nome de Natércia.



Dinamene

Dinamene é um dos interesses românticos que Camões teve, uma mulher chinesa descrita como sendo belíssima. O poeta ter-se-á apaixonado por ela durante uma das viagens ao Extremo Oriente e que, tendo morrido num naufrágio, foi por ele personificada na figura da ninfa marinha.

Dinamene

Entre os diversos poemas que lhe dedica, refiro estes versos de um deles:
 
“Ah, minha Dinamene assi deixaste
Quem não deixara nunca de querer-te!”.

Nesta obra, o seu amor por Camões ficou simbolizado por um “brasão” no seu peito, do lado esquerdo que é o lado do coração.



Francisca de Aragão

Francisca de Aragão nasceu no século XVI, em Portugal, e pertencia à nobreza portuguesa. Mais conhecida pelo seu casamento com Jorge de Albuquerque, importante fidalgo português, que tornou Francisca num elo importante nas redes de poder da nobreza portuguesa.

D. Francisca de Aragão

Esta personalidade foi uma figura significativa no contexto político e social da época, tendo um desempenho no papel da manutenção das alianças familiares e na estabilidade social da corte.

Francisca de Aragão está profundamente ligada ao papel das mulheres da nobreza portuguesa do século XV, tendo sido considerada, por alguns, mais uma musa inspiradora de Camões.


Os alunos do 12ºC
Prof.ª Antónia Rodrigues


quarta-feira, 17 de maio de 2023

Visita de Estudo 12ºA/B/C

No passado dia 12 de maio, a turma de Artes Visuais do 12.ºA2 da ESSMO teve a oportunidade de participar numa visita de estudo à Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Como alunos de artes, estávamos ansiosos para explorar o ambiente académico e cultural desta instituição.


Ao chegarmos à universidade, fomos, imediatamente, cativados pela arquitetura da mesma. Estávamos no interior de um edifício histórico que exalava elegância e que proporcionava um ambiente inspirador para a educação artística.

Fomos recebidos por uma aluna que nos acompanhou a uma série de espaços fascinantes da universidade. Ficámos impressionados com a diversidade de estilos e técnicas apresentadas nos trabalhos dos alunos, desde pinturas, passando pelas esculturas até às instalações. É evidente que a universidade valorizava a liberdade de expressão artística. Visitámos também algumas salas de aula onde testemunhámos o ambiente de trabalho inspirador em que os alunos exploram a sua criatividade.

No final da visita, saímos da FBAUL com uma sensação de inspiração e admiração. Esta visita à universidade foi, sem dúvida, uma experiência memorável. 

Raquel Rodrigues, 12ºA2 


Na passada sexta-feira, dia 12, os alunos de humanidades do 12ºA1 visitaram as faculdades de Direito e de Letras da Universidade de Lisboa. Com o objetivo de conhecer o ambiente universitário e o espaço físico e social das instituições, tivemos a oportunidade de ser guiados por estudantes das próprias faculdades.


A poucas semanas de acabar o ensino secundário, e a poucos meses da candidatura ao ensino superior, considerámos que as visitas foram ambas muito enriquecedoras. Conseguimos perceber a oferta de cursos de ambas as faculdades visitadas, e ainda conversar com os atuais alunos das mesmas, de modo a obtermos uma perspetiva mais familiar e próxima daquelas que podem ser as nossas opções de faculdade.


Ao final do dia, todos voltámos com os horizontes mais abertos, e as nossas decisões mais formuladas. 

Margarida Vieira 12ºA


Também a turma do 12ºC, diretamente ligada à área das Ciências Socioeconómicas, marcou presença em duas visitas bastante elucidativas e pertinentes.


Numa primeira deslocação ao ISEG, os alunos tiveram a possibilidade de assistir a uma breve apresentação relativa aos cursos da instituição de ensino superior em causa e ainda, de esclarecer as suas dúvidas junto a alguns estudantes da mesma.


Posteriormente, a turma foi igualmente recebida com ânimo e generosidade, desta vez, no ISCTE, onde, antes de lhes terem sido transmitidas as informações mais relevantes, os alunos foram convidados a participar num dinâmico Peddy Paper para que ficassem a conhecer alguns espaços do estabelecimento de ensino.

Terminada mais uma experiência comum, o agrado era evidente e as ideias relacionadas com aquilo que nos espera num futuro não muito longínquo, começavam finalmente a clarificar-se.   

Joana Valada 12ºC

sábado, 8 de maio de 2021

Dia Mundial da Língua Portuguesa

Com a presença da Diretora do Agrupamento Profª Celeste Sousa , ontem, dia 5 de maio, pelas 16h, a turma do 12ºC de Artes no âmbito da disciplina de Desenho A, sob a orientação do Prof. José Morgado colocou um painel constituído por retratos desenhados e/ou pintados de escritores portugueses com textos de cada um desses escritores, na Biblioteca da ESSMO, assinalando assim o DIA MUNDIAL DA LÍNGUA PORTUGUESA.
 
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Este trabalho começou por ser uma encomenda da Profª Maria de Deus no ano letivo anterior (estava a turma no 11º ano) e a sua conclusão foi sucessivamente adiada devido à situação que fomos vivendo de aulas à distância, intercaladas com aulas presenciais.

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Achou a turma que a comemoração deste dia, seria uma boa oportunidade para fazer um “esticão” final e assim dar por concluído o trabalho e entregar a encomenda.

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Contactada a atual Diretora da Biblioteca e explicada a situação, esta também concordou e deu o seu apoio.


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A verificação dos textos foi feita pelo professor de Português (no 11º ano) Rui Machado.

As fotografias são da Profª Isabel Gamelas